Tinha oito anos. Esperava o Natal sem muita ansiedade, como as outras crianças. Não me preocupava com Papai Noel ou presentes. Queria saber o que era natal. Já tinha feito essa pergunta aos pais, tios, avós... até para a professora de sua escola. Ninguém lhe respondeu da maneira que entendesse.
Viu em casa a correria com os preparativos para a comemoração. Enfeites, iluminação, árvore, ceia, sobremesa! Não queria muito. Só alguém que lhe respondesse satisfatoriamente o que era o Natal. Alguém que pudesse matar sua curiosidade. Sentou-se no meio-fio da calçada. Viu gente correndo para todos os lados, sabendo e não sabendo o que comprar. Mães arrastando os filhos pelas mãos, buscando espaço pelas calçadas, escadas rolantes e lojas. O trânsito era confuso, ameaçando pedestres e até postes! Calotas amassadas na guia, motoristas cuspindo palavrões. Já era véspera de Natal.
Por que era tão difícil responderem sua pergunta? Os adultos são tão difíceis e complicados! Por que não lhes explicavam do jeito que ele entendesse? Fascinado com o brilho da noite, e ainda enrolado com a pergunta que envolvia a sua cabecinha, foi se afastando de casa. Distraído, distanciou-se. Bem longe. Resolveu voltar. Por onde? Viu-se perdido! E agora? Quase chorou. Uma criança, de sua idade e presa na mão da mãe, lhe deu uma cotovelada. Assustou-se ainda mais! Tentou perguntar a um transeunte onde o endereço de sua rua. Ninguém sabia. Outros nem lhe davam atenção. Desesperado, foi até um policial. Contou que estava perdido, e deu o nome de sua rua. O policial levou-o até lá. Na esquina, viu seus pais desesperados correndo para o abraçar. Sua mãe rendeu graças a Deus por tê-lo encontrado. Disse: - "Nunca perdi a esperança! ? Agora estou feliz e em paz!!!"
Foi nesse momento que ele entendeu o espírito do Natal. Pela esperança, depois alegria e felicidade depositadas nos olhos de sua mãe e de outras pessoas. Entendeu o quanto ela o amava e o quanto ele a amava também. Entendeu os enfeites, a iluminação e a comemoração. Só não entendeu por que a esperança, paz e felicidade aconteciam só durante um dia durante o ano todo!
Luiz Carlos Pasquarelo