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Criação de emprego com carteira chega ao menor nível deste ano

Folhapress
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Brasília -  A criação de vagas formais no Brasil despencou em novembro e atingiu o menor nível para este mês desde 2008 - quando o mundo vivia o baque da quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, em setembro.

O dado, divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho, reforça a avaliação de que a atividade doméstica caminha a passos lentos no final do ano, após ter ficado estagnada no terceiro trimestre.

No mês passado foram geradas 42.735 vagas formais de trabalho. Esse foi o pior resultado deste ano, e ficou 69% abaixo do número de empregos criados em novembro do ano passado.

Em nota, o Ministério do Trabalho atribuiu o saldo fraco a um efeito sazonal -tradicionalmente o emprego perde ritmo em novembro por conta do desaquecimento de alguns setores como indústria e agricultura -, mas apontou também os impactos da crise externa.

 


Crise externa

“No aspecto conjuntural, os efeitos da crise internacional parecem estar repercutindo com maior intensidade no setor da indústria de transformação, que, nesses últimos meses, vem demonstrando sinais de perda de dinamismo”, afirmou o ministério.

Na relação com o mês de outubro, quando foram criadas 126 mil vagas, houve uma queda de 66% na geração de novos postos de trabalho.

O ritmo de geração de empregos formais começou a cair no segundo semestre, quando o governo informou que não bateria a meta prometida no início do ano, de geração de três milhões de postos de trabalho.

Em setembro, o então ministro Carlos Lupi reduziu a previsão de geração de vagas para 2,7 milhões.

Lupi explicou, naquele mês, que a geração mensal de vagas estava ocorrendo em um ritmo menor devido a uma desaceleração da economia e da forte entrada de produtos importados no país.

Apesar disso, ele mantinha a esperança de que as vagas geradas por concursos públicos municipais e estaduais neste ano ajudariam o país a atingir a meta inicial: “Vamos ter um acréscimo muito mais significativo com concurso público”, declarou na época.

No acumulado de janeiro a novembro de 2011, o número de empregos com carteira assinada alcançou 2,32 milhões, o que representa uma queda de 20,4% em relação ao resultado alcançado no mesmo período de 2010.

O economista Rafael Bacciotti, da consultoria Tendências, afirmou que o resultado da criação de empregos em novembro foi bem mais baixo do que o mercado esperava.

“Os fatores que contribuíram para a desaceleração da economia e do mercado de trabalho foram as políticas monetárias restritivas e o cenário externo conturbado”, afirmou o economista.

De janeiro a julho, o Banco Central elevou a taxa básica de juros em 1,25 ponto percentual, para 12,5%, em um esforço para conter a inflação. Em agosto, porém, com o agravamento da crise externa, o Banco Central passou a reduzir os juros, que estão atualmente em 11% ao ano.

 

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