Regional

Hospital de Agudos recebe R$ 380 mil para pagar dívidas

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Agudos – A diretoria da Associação do Hospital de Agudos (AHA) ganhou um presente de Natal antecipado que vai impedir, pelo menos por enquanto, o crescimento de uma dívida que chegou a atingir R$ 700 mil. Após receber, no dia 7 de outubro, um cheque no valor de R$ 320 mil das mãos da prefeitura, referente a uma parcela do duodécimo devolvida antecipadamente pela Câmara, ontem, a entidade foi beneficiada com mais R$ 380 mil. A soma dos valores, somada a política de redução de gastos, deixa o hospital, que chegou a ameaçar fechar as portas, em uma situação de equilíbrio.

A entrega do cheque na tesouraria da prefeitura foi feita às 9h pela presidente da Câmara, Neusa Vicente (PPS), e pelos vereadores Maria Antônia da Silva, a Tata (PMDB); Cícero Nunes Pereira (PP) e Luciano Durães de Vasconcelos (PR). À tarde, o prefeito Everton Octaviani (PMDB) fez o repasse do valor à diretoria da AHA.

O aporte financeiro, a título de ‘contribuição’, está amparado em projeto de lei do Executivo aprovado por unanimidade pela Câmara no início de outubro, após diversas reuniões entre os dois poderes e a diretoria do hospital. “O dinheiro está sendo disponibilizado para eles acertarem as dívidas e saírem dessa situação difícil”, conta o prefeito.

Como contrapartida, ele ressalta que cobrou da AHA a redução do déficit mensal que variava entre R$ 30 e R$ 40 mil. “Nós exigimos da associação que houvesse esse equilíbrio entre receita e despesa”, diz. Por mês, a prefeitura já repassa ao Pronto-Socorro (PS), que funciona no prédio do hospital, o total de R$ 316 mil.

Por enquanto, de acordo com Everton, não há previsão para que os R$ 700 mil repassados à entidade retornem ao cofres públicos. “Eu não posso exigir que haja devolução instantânea e imediata no próximo ano porque, senão, pode ser que eles voltem a caminhar com déficit porque é um dinheiro que vai fazer falta de alguma forma”, afirma.

Para o próximo ano, ele anuncia que o Executivo deve manter parcerias com a AHA, a exemplo da ocorrida este ano para a realização do mutirão de cirurgias de catarata. “Havia uma demanda de pessoas precisando fazer cirurgia de catarata, nós fizemos uma convênio com o hospital e fizemos essa cirurgia em mais de 100 pessoas”, revela.

 

Crise financeira

A crise financeira enfrentada pela AHA é decorrente, segundo a direção da entidade, de fatores como o cancelamento do Incentivo Estadual à Contratualização, em 2008, e a instalação na região de hospitais como o da Unimed e o Hospital Estadual, que fizeram com que as internações diminuíssem, resultando em perda gradativa de receita.

O hospital possui hoje taxa de ocupação de 40% mas, para que pudesse se manter com tranquilidade, ela deveria ser de pelo menos 85%. A unidade reclama ainda da defasagem na Tabela de Procedimento do Sistema Único de Saúde (SUS) que, nos últimos 17 anos, foi reajustada apenas duas vezes, no total de 10%, para inflação no período acima de 500%. Até outubro, o hospital contava com 105 funcionários e gasto anual de R$ 7 milhões, diante de um orçamento de R$ 6,3 milhões.  Entre os projetos estão a redução de 12% do quadro de pessoal.

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