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Briga de casal pode ter iniciado fogo


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São Paulo - Um incêndio destruiu quase metade dos 600 barracos da Favela do Moinho, em Campos Elísios, região central de São Paulo, na manhã de ontem. Uma pessoa morreu e outras quatro - incluindo um bombeiro - ficaram feridas. Pelo menos 200 famílias ficaram desabrigadas e 11 pessoas foram resgatadas do fogo por helicópteros da Polícia Militar. A principal hipótese é de que o incêndio tenha sido criminoso.

O fogo teria começado nas proximidades de um prédio ocupado pelos moradores da favela no centro da comunidade. Bombeiros de toda a cidade ajudaram no combate às chamas, que começaram pouco depois das 9h. A favela ocupa uma área de 30 mil metros quadrados - 6 mil metros quadrados (20%) queimaram. Os três civis feridos teriam pulado do prédio em chamas, segundo os bombeiros. Duas pessoas tinham sinais de intoxicação e uma sofreu fratura. Mas ninguém corria risco de morte até a noite de ontem.

Uma das feridas é a dona de casa Andrea Patrícia Pereira Moreira, 41 anos. Ela morava no primeiro andar do prédio. O filho dela, Jefferson, 25 anos, conta que havia saído de casa e viu o incêndio pela TV. Só encontrou a mãe após procurá-la em dois hospitais. O prédio era habitado por cerca de 600 pessoas - parte delas, segundo os moradores, oriunda de despejos de outras ocupações. A prefeitura prometeu cadastrar os desabrigados em programas sociais e ofereceu abrigo ou auxílio-moradia.

Durante os trabalhos de combate ao fogo, o soldado Ricardo da Conceição, 38 anos, foi atingido na cabeça por uma televisão que foi arremessada por um dos moradores. O acidente aconteceu quando as famílias tentavam salvar eletrodomésticos de seus barracos. Conceição, que tem dez anos de serviço como bombeiro, foi levado para o Hospital das Clínicas, em Pinheiros, zona oeste, e permanecia em estado de observação.

No fim do dia, a mulher acusada de ter colocado fogo no barraco durante uma briga de casal, chamada apenas de Jussara, retornou à comunidade e escapou por pouco de ser linchada pelos moradores. Com a cabeça coberta por uma peruca de palhaço, foi perseguida pelo povo e levada pelos becos até um barraco.

Chamaram então o líder comunitário Humberto Rocha, 39 anos, para evitar que a mulher fosse linchada. Com a ajuda de alguns colegas, ele tirou a suposta incendiária da favela e a entregou à Guarda Civil Municipal. “Ela foi reconhecida pelas pessoas, que a ouviram gritar que tinha botado fogo no barraco. Foi a segunda vez. Mas, como representante da comunidade, não permitiria que ela fosse morta”, diz Rocha.

O desespero tomou conta de quem perdeu o pouco que tinha. “Estou grávida, com quase nove meses, meu filho pode nascer a qualquer momento e não tenho mais nem como vesti-lo”, afirmou Tainá da Silva Almeida, 16 anos, que morava na área atingida pelo fogo. 

 

Prédio pode desabar

 

São Paulo - Um prédio invadido que fica ao lado da favela do Moinho, no Campos Elíseos, centro de São Paulo, corre o risco de desabar, após o incêndio que destruiu parte do edifício e dos barracos em seu entorno, de acordo com o Corpo de Bombeiros. "O prédio está totalmente comprometido. As guarnições não podem entrar. Precisamos esperar chegar a uma temperatura ideal. Ele apresenta rachaduras e queda de reboco, com risco iminente de desabar", afirmou o capitão dos bombeiros Marcelo Cernevali.

 

Os moradores do local também estão proibidos de entrar no local, segundo o Corpo de Bombeiros. A previsão é de que os bombeiros consigam entrar no prédio hoje de manhã e então poderão verificar se existem mais vítimas.

 

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