Neide Carlos |
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Roberval Neres, Luis Carlos, Maria Cláudia Ribeiro e Rafael Souza viajam hoje para disputa da 87ª edição da prova |
Mais de 25 mil concorrentes e 15 quilômetros de corrida por pontos históricos da capital paulista. Esse será o grande desafio de alguns atletas que deixam Bauru, viajam para São Paulo e participam amanhã da 87ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre.
O administrador de empresas Roberval Neres dos Santos, 49 anos, é bauruense e corre há 7 anos. Desde então coleciona participações em diversas provas. Ele e outros muitos atletas da cidade, profissionais ou amadores, viajam para participar da tradicional prova paulistana. E quando partir na largada da São Silvestre amanhã, Roberval iniciará a sua 36ª corrida de 2011. “Tudo começou por estética mesmo. Como minha altura já não ajuda muito (cerca de 1,65m), não queria manter uma barriguinha indesejável. Foi então que, auxiliado pelo meu filho, professor de educação física, que comecei a correr. Desde então não consigo parar. É como um bicho que te pica e injeta esse ânimo em seu DNA”, comenta o atleta que chega nesse ano em sua segunda disputa de São Silvestre. “Também participei em 2008”, lembra.
O evento será também a oportunidade que a professora de educação física Maria Cláudia Ribeiro, 31 anos, terá de disputar a primeira edição da maior prova do atletismo brasileiro. “Há 9 anos pratico o triatlo (modalidade que reúne natação, ciclismo e corrida) e desta vez tenho a oportunidade de realizar um sonho mesmo. Sempre vemos pela televisão a festa que é a São Silvestre e tem aquela sensação gostosa. Hoje vou poder participar de toda essa festa. Com certeza esta é a melhor prova do País e a mais emocionante”.
Da mesma emoção compartilhará a estudante Giovana Garcia Ticianeli, que aos 18 anos marcará seu nome na lista de participantes da 87ª edição da corrida. “Meu principal objetivo é curtir o momento e, é claro, para isso pretendo terminar os 15 quilômetros”, conta ela que também é triatleta e disputou recentemente 10 quilômetros na Meia Maratona de São Paulo.
Réveillon na van
Aos 36 anos, o securitário Rafael Souza, que acumula 6 provas de São Silvestre, foi o responsável por reunir um grupo de 25 pessoas que foram divididas em duas vans e que deixaram a cidade rumo a aproximadamente 340 quilômetros de estrada até São Paulo. A partida estava marcada para as 9h de hoje, da avenida Getúlio Vargas, defronte à Copaíba. “Há alguns anos montei um site (www.incentivoesporte.com.br) para reunir informações e divulgar eventos relacionados ao que virou minha paixão, a corrida”. E foi através do endereço eletrônico que Rafael reuniu o grupo que parte hoje para a São Silvestre. Alguns deles, inclusive, participaram recentemente da Volta da Pampulha, em Belo Horizonte (MG). Foi o caso do oficial de justiça Luis Carlos Gom que, aos 53 anos é o mais velho do grupo. “Trabalho andando e corro aos finais de semana. Essa será minha 24ª prova neste ano. Na última, na Pampulha, acabei sentindo uma fisgada no músculo e não pude treinar no ritmo para chegar no dia 31 muito bem. Mas, mesmo assim, estou pronto e vou correr no meu limite”, garante animado.
A explicação, para Rafael, é que não há limite físico àqueles que não são profissionais. “O atleta amador não tem competidor. Ele compete com ele mesmo e tenta provar seus limites. O atleta amador é movido pela linha de chegada, e o que ele quer é completar a prova no menor tempo possível”.
Com novo percurso a 87ª edição da São Silvestre tem início marcado para às 17h30, sendo a largada na Avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte Moderna. O novo horário também deve atrasar o retorno dos bauruenses. “Provavelmente vamos chegar bem tarde, até mais tarde das 23h”. Assim, para garantir o sonho de disputar a prova mais charmosa do atletismo brasileiro, os bauruenses que optarem por retornar à cidade logo após a corrida terão que sacrificar a passagem de ano. Para eles, mais um motivo para comemorar. “Não tem problema nenhum. Pode deixar que eu me encarrego de comprar e levar a champanhe para a volta, pois a nossa virada será na van”, tranquiliza Luis Carlos.
‘Treinando’ diariamente o ano inteiro, carteiro bauruense quer fazer bonito
Após 30 anos de história, a São Silvestre não terá mais a sua chegada na avenida Paulista. A alta concentração de pessoas que já vão ao local para a festa de Réveillon fez com que a organização mudasse o trajeto, agora com o seu final em frente ao Obelisco, no Parque do Ibirapuera. Essa foi uma das alterações do percurso da tradicional prova brasileira. Se alguns profissionais discutem tecnicamente os benefícios e problemas com as mudanças, um carteiro bauruense, acostumado a terrenos bem variados, não se preocupa.
Aos 28 anos, Flávio André Contel tem o privilégio que alguns gostariam de ter. “Posso dizer que ser carteiro é ter uma vida bem agitada”, conta. O que é rotina para uns, é desejo de outros. “Adoro esportes, se precisar largo até o trabalho para praticar. Se pudesse escolher, queria que na minha profissão tivesse uma corrida ou caminhada diária, como um gari ou carteiro”, comenta o administrador de empresas Roberval Neres dos Santos.
Em comum em todos os que participam da prova está a paixão pelo esporte. Com o carteiro Flávio André não é diferente. “Sempre gostei de praticar esportes. Mas minha vida na corrida começou quando procurava emprego, há 8 anos, e queria passar no concurso da Polícia Militar que exige um teste físico. Comecei treinando para isso”. O jovem que hoje cursa Educação Física na Unesp de Bauru não conseguiu ingressar na PM, mas os treinos físicos lhe renderam aprovação no concurso para carteiros. “Há seis anos passei no concurso e me mudei para Bauru. Mas não parei de correr e fazer meus exercícios além do trabalho”.
Apesar de caminhar mais de 10 quilômetros por dia, Flávio aponta diferença entre o trabalho e o esporte. “Hoje, falando como estudante de Educação Física, posso dizer que minha profissão não ajuda no desempenho da prova em si. Claro que faz com que você não seja sedentário e tenha uma vida ativa, mas não te traz condicionamento. Fisiologicamente, caminhada e corrida são bem diferentes”.
Esta será a terceira São Silvestre do carteiro que também participou nas edições de 2007 e 2008. “Minha expectativa é fazer o percurso em menos de uma hora. O maior problema é sair do pelotão da bagunça. Nos primeiros três quilômetros eles atrapalham bastante, mas depois é tranquilo”, conclui.
Profissionais buscam melhores marcas
A prova que já consagrou corredores como o queniano Paul Tergat, é a grande aposta do ano para o bauruense Sebastião Samuel Junior. Aos 34 anos o gráfico e funcionário da Tilibra, conhecido também como “Kanu” devido a semelhança com o ex-jogador de futebol nigeriano, carrasco do Brasil nas Olimpíadas de 1996, participa pela segunda vez consecutiva da Corrida de São Silvestre. Em 2010 fez o percurso em 1 hora e 7 minutos, o 1.300º melhor tempo entre os cerca de 22 mil participantes. “Minha meta esse ano é diminuir esse tempo. Quero fazer em menos de uma hora”, projeta.
Para isso, o bauruense treina diariamente de 10 quilômetros. “Espero fazer um bom tempo, apesar da mudança do percurso. Não sei ainda se isso será benéfico ou não, vamos ver na hora”.
Assim como “Kanu”, outra funcionária da Tilibra se prepara para integrar o pelotão de elite da São Silvestre. Neoci Pedroso, 43 anos, mora em Agudos (13 quilômetros de Bauru) e trabalha na empresa bauruense há 12 anos. Há cinco, divide seu tempo livre com os treinos de corrida. “Perseguia uma vaga no pelotão de elite da São Silvestre há três anos e consegui, na Prova Bradesco que foi realizada em Bauru, a minha marca para o pelotão B, com 23min54 em seis quilômetros”, conta a atleta que ainda em 2011 participou das meias maratonas de São Paulo e do Chile representando Bauru. “Agora que consegui chegar na elite, meu objetivo é acompanhar o pelotão por pelo menos sete quilômetros”, almeja.
