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Revoltas avançam em meio à visita da Liga Árabe à Síria

Folhapress
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Damasco - Apesar da dura repressão do governo, milhares de pessoas saíram às ruas de mais de 18 províncias da Síria ontem. O dia de protestos foi um dos maiores desde o início das revoltas, em março.

Em meio à visita de uma missão da Liga Árabe ao país, o intuito era demonstrar a gravidade da repressão que, de acordo com a ONU, já deixou mais de 5 mil mortos.

Segundo ativistas e opositores, ao menos 22 pessoas morreram em confrontos com forças do governo anteontem, na Síria. O Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede em Londres, estimou que mais de 500 mil pessoas tenham protestado por todo o país, 100 mil só em Homs.

A cidade é um dos principais foco de oposição ao regime do ditador Bashar al- Assad. Vídeos da rede de TV Al Jazeera mostravam multidões de manifestantes nas ruas. Outras imagens também exibiam centenas de pessoas cercando a comitiva da Liga Árabe por bairros de Homs. Elas tentavam se aproximar dos observadores aos gritos.

“Esta sexta é diferente. É um passo transformador. As pessoas estão ansiosas em alcançar os monitores e contar seu sofrimento”, disse o ativista Abu Hisham em Hama.

Na cidade de Hama e no bairro de Douma, em Damasco, também foram registrados grandes protestos.

No subúrbio de Barzeh, na Capital, os manifestantes levaram cartazes onde se lia “os monitores são testemunhas que não veem nada” e gritavam: “Bashar, não queremos você; sírios, ergam as mãos”.

Cerca de 250 mil se reuniram depois das orações muçulmanas em Idlib, segundo o Observatório.

Desde que assinou o acordo com a Liga Árabe, em 2 de novembro, o regime de Assad tem sido acusado de intensificar a repressão. Os observadores estão na Síria para avaliar a implementação do tratado de paz, em que Assad se comprometeu a encerrar a repressão aos manifestantes, libertar presos políticos e dialogar com a oposição.

Um observador da Liga Árabe disse ontem à multidão enfurecida na Síria que o trabalho de sua equipe é apenas observar, e não ajudá-los a retirar do poder o ditador, contra o qual se rebelam há nove meses, conforme reportagem da emissora Al Jazeera.

“Nosso objetivo é observar, não é remover o presidente, nosso objetivo é devolver paz e segurança à Síria”, afirmou ele, falando em um alto-falante a partir do pódio de uma mesquita lotada de manifestantes no subúrbio de Douma, em Damasco.

O observador, entretanto, que não falou seu nome, prometeu divulgar o sofrimento dos manifestantes.

Ativistas dizem acreditar que muitos observadores são pró-governo ou acreditam que é muito difícil se comunicar com o grupo longe de acompanhantes do governo. Dentro da mesquita de Douma, a multidão parecia suspeitar dos observadores.

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