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Paradas irregulares equivalem a 4 das 10 principais infrações

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

“Só parei dois minutinhos”. A desculpa de um motorista que foi flagrado ontem pelo JC estacionado em uma vaga reservada a idosos já se tornou resposta padrão para aqueles que têm por hábito desrespeitar as regras de estacionamento nas vias públicas. Aparentando pouco mais de 30 anos, ele permaneceu por alguns minutos na vaga localizada em frente ao prédio da prefeitura de Bauru e roubou o direito - mesmo que por pouco tempo - de quem realmente deveria usufruir do espaço.

Este pensamento de que “rapidinho pode” é o que faz o estacionamento irregular ser responsável por quatro das dez principais multas de trânsito em Bauru. Somente entre janeiro e novembro do ano passado, foram elaboradas 7.970 autuações pela Polícia Militar e pelos “azuizinhos” do Grupo de Operações de Trânsito (GOT) da Empresa Municipal do Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). O número corresponde a 14,2% do total de multas registradas no período. Em todo o ano de 2010, foram 10.019 flagrantes de infrações desta natureza.

Dos motoristas que foram flagrados estacionados em local proibido em 2011, mais da metade estava parada em área de estacionamento rotativo indevidamente - sem o cartão ou com cartão vencido. “Este é, disparado, o principal tipo de irregularidade dos motoristas em termos de estacionamento. Em segundo lugar, aparece o desrespeito à vaga de deficiente e idoso e, em terceiro, em locais onde a sinalização proíbe o estacionamento, como trechos de faixa amarela e muito próximos a esquinas, por exemplo”, detalha o gerente técnico de infrações da Emdurb, Gustavo Cardoso.

A ausência de cartões dentro dos automóveis aumenta à medida em que rareia a fiscalização realizada pelos azuizinhos. Na região Central, é praticamente impossível encontrar um só veículo sem talão. Já na zona sul, em ruas como a Antônio Alves, onde quase não há agentes da Emdurb, é possível contar nos dedos a quantidade de carros estacionados regularmente, mesmo com a farta sinalização vertical existente na via.

“Na zona sul, contamos apenas um agente de trânsito que circula de moto pelas ruas. Na Antônio Alves, é possível observar que ainda sobram vagas de estacionamento, então nosso foco está voltado para as áreas mais críticas, como o Centro, onde trabalham até cinco agentes por turno”, justifica Cardoso.

 

Inviável

Iniciadas no Centro e expandidas recentemente para a zona sul da cidade e região do Bauru Shopping, as áreas verdes - com limite máximo de permanência de uma hora - e azuis - de duas horas - já somam 2.090 vagas em Bauru. Uma reclamação recorrente dos usuários é de que não há vendedores de talonários nas ruas em número suficiente e que os postos de venda, em sua maioria, não estão identificados.

De acordo com Cardoso, a Emdurb conta hoje com apenas 32 orientadores e 280 estabelecimentos que funcionam como postos de venda que, de fato, não tem a obrigatoriedade de afixar adesivo na fachada para informar sobre o serviço. “Por este motivo, incentivamos as pessoas a deixar um número maior de talões guardado no carro, como reserva. Precisaríamos de mil orientadores para vender diretamente os cartões aos usuários. É algo inviável”, pondera.

Embora a falta de uso do cartão na hora de estacionar nas áreas Verde e Azul ainda seja uma prática comum, a má conduta do motorista flagrado ontem pelo JC está se tornando cada vez menos frequente em Bauru. Conforme a reportagem pôde constatar, em um passeio de pouco mais de uma hora, três veículos foram flagrados fazendo uso indevido de vagas reservadas para idosos e deficientes físicos.

Além do condutor que parou em frente à prefeitura, na Praça das Cerejeiras, um outro veículo usava uma vaga própria para idosos na rua Bandeirantes e outro ocupava o lugar exclusivo para deficientes na quadra 23 da rua Gustavo Maciel, no final da tarde. Nenhum deles possuía selo ou cartão de identificação, uma exigência da Emdurb para fazer uso dos espaços.

Segundo Cardoso, Bauru conta, atualmente, com 150 vagas para idosos e 160 para deficientes, sendo que algumas delas estão nas áreas de estacionamento rotativo. “Há uma certa confusão do motorista. Geralmente, ele é multado quando para na vaga especial fora do horário de estacionamento rotativo, por acreditar que, neste período, aquele espaço deixa de ser reservado, o que não é verdade”, esclarece.

 

Vagas rápidas ainda causam confusão: parada é permitida nesses locais só por dez minutos

Instituídas em meados do ano passado, as chamadas vagas rápidas ainda geram confusão entre os motoristas de Bauru. Pelas regras da Empresa Municipal do Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), tratam-se de locais onde o motorista poderá estacionar por até 10 minutos com o pisca-alerta do veículo acionado.

Uma delas foi instituída na quadra 10 da rua Gustavo Maciel para estabelecer horários para embarque e desembarque de alunos do colégio São José entre 6h30 e 7h30, 11h e 14h, e 17h e 18h30. Fora deste período, vale a regra geral para estacionamento rotativo.

O problema é que a guia da sarjeta, pintada de amarelo, dá a impressão de que não é permitido estacionar no trecho em momento algum, o que leva à ociosidade de vagas na maior parte do dia às margens da avenida Rodrigues Alves. Embora a placa de sinalização seja clara sobre como funciona o sistema de vagas rápidas, a letra miúda faz com que algumas observações passem despercebidas.

Como resultado, o condutor que nota a permissão para permanecer em horários específicos acaba não usando cartão de estacionamento rotativo. Foi o que pôde notar a reportagem na tarde de ontem, quando cinco carros estavam estacionados no local sem talão.

“Toda sinalização na via está de acordo com as exigências do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), inclusive o tamanho da placa, que é padrão e não pode ser maior do que aquele. A letra ficou daquele tamanho porque era necessário constar todos os horários de funcionamento do embarque e desembarque e do estacionamento rotativo, exatamente para não confundir o usuário”, pontua o gerente técnico de infrações da Emdurb, Gustavo Cardoso.

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