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Planejar tudo entre o Ano Novo e o Natal

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Existe uma frase no âmbito da culinária que pode ser utilizada para o âmbito das finanças do lar: o problema não está no que comemos entre o Natal e o Ano Novo, e sim o que comemos entre o Ano Novo e o Natal. Adaptando a frase: o descontrole financeiro não é causado pelo comportamento que temos entre o Natal e o Ano novo, e sim no restante do ano. Observo reclamações de toda ordem, que são verdadeiras, listando gastos excessivos de início de ano, principalmente com IPVA, matrícula escolar, material escolar, IPTU, anuidades de associações de classe, entre outros.

Também observo inúmeras famílias entrarem o ano sem traumas. Buscaram ao longo do ano construir reservas financeiras, segurando o consumo e ampliando a renda, que permitem passar um final de ano confortável e ainda iniciar o ano sem estresse.

Evidentemente que não queremos tapar o sol com a peneira e somos sabedores do nível médio de ganho das pessoas no Brasil, que é muito baixo para as necessidades da vida moderna, contudo, também somos sabedores que o padrão de vida da família deve ser adequado ao seu real poder aquisitivo. Em outras palavras: a renda limita o acesso ao consumo de alguns produtos, portanto, ir além do que a renda permite, é viver endividado.

Para ilustrar esta questão, vou citar a aquisição de um automóvel. É sonho de muitas pessoas. O crédito abundante e prazos elásticos para pagamento do financiamento têm permitido adquirir um veículo para família. Juntamente com a compra do veículo surgem os outros gastos. IPVA, seguro, manutenção, combustível, multas, entre outros, não são computados pelas famílias. Ao analisarem somente o valor da prestação do carro, incorrem em um erro básico de não analisar a amplitude do gasto assumido. Um carro pode ser o estouro do orçamento da família.

Outro exemplo é a reforma da casa ou mudança para uma casa maior. As despesas irão aumentar e é preciso ter renda para suportar este novo patamar de gastos.

Considerando a vida é feita de escolhas, não planejar e não controlar as finanças da família é se comportar como avestruz, que enfia a cabeça no buraco para se esconder, deixando todo o corpo exposto.

Considerando que estamos no início de ano, e com ele há uma série de compromissos financeiros é fundamental que os mesmos não criem uma bola de neve, comprometendo o orçamento do ano todo.

Se você virou o ano com dívidas, estabeleça metas que equacioná-las o mais rapidamente possível, mesmo que para isso tenha que se desfazer de algum bem, garantindo tranqüilidade o restante do ano. Se agir assim, por certo não se preocupará em dezembro com que gastará entre o Natal e o ano novo.

Quanto à frase do consumo excessivo de alimentos ela é verdadeira, afinal quem controla a saúde durante o ano todo, sendo comedido no consumo de alimentos, tendo uma vida saudável, poderá extrapolar um pouco entre o Natal e o ano novo, sem traumas.

Muito cuidado com você faz entre o ano novo e o Natal!


O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib e articulista do JC


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