Pensamos que estamos assistindo a um filme "de ação". Ledo engano: estamos sofrendo o bombardeamento da propaganda das indústrias de armamentos. Pensamos que estamos lendo um "romance americano". Na verdade, estamos nos expondo à propaganda estadunidense da chamada Guerra Fria.
O perigo vietnamita entrou pelos olhos e penetrou no âmago de quase todos: era preciso deter o perigo do comunismo que, como polvo, queria agarrar todos os povos. Inventaram várias armas químicas e biológicas que foram testadas no Vietnã em nome da defesa da democracia: quase destruíram todo um povo.
A mocinha é lindíssima e muito competente: consegue driblar a polícia secreta da União Soviética e descobre um plano de destruição do império americano. Ufa! Livramo-nos do bombardeio do "império do mal". Que boazinha!
A russa elegante, mulher especialista em física nuclear, é sósia da esposa do presidente estadunidence. Na cama com o presidente, ela tenta surrupiar segredos de estado para passar para o Kremlin. Quase consegue, não fora a esperteza maior de um 007 elegantíssimo e competentíssimo.
Pensamos assistir a um filme pedagógico sobre a infinita competência de um professor que sabe cativar os alunos pobres, de preferência negros, todos gangsters. O "mestre" transforma a atividade educativa em espetáculo. Cativa a todos e consegue o impossível: cativar os criminosos que são todos os seus alunos. Assim, joga os telespectadores contra todos os pobres, de preferência negros, que "não querem subir na vida e vivem azucrinando quem quer lhes ajudar". Todos os dias, deixamo-nos enredar por essas propagandas e acabamos pensando que os pobres são culpados pela própria condição, não querem nem estudar nem trabalhar... custam muito caro para a sociedade. E essas propagandas do "modo de ser americano" são projetadas até em salas de aula de Pedagogia. Futuros(as) pedagogos(as) irão propagandear ad infinitum esses preconceitos e falsos heróis da Educação. E vendem a pedagogia do preconceito contra pobres, não heterossexuais, negros, hispânicos...
Foi assim também na indústria do entretenimento: o charme da fumaça do cigarro, o necessário drink para cativar amigos, para desanuviar do dia corrido e competitivo e... enredar prováveis concorrentes.
Sobretudo, ensinam a violência. A violência necessária para justificar ataques a inimigos imaginários: "armas de destruição em massa"; o perigo das drogas; os "do mal" como árabes, muçulmanos, palestinos, africanos, imigrantes...
Estamos diante do perigo do desencadeamento de mais um ataque, agora, com mais uma propaganda: o perigo das armas nucleares a se produzir no Irã. No Iraque, não se conseguiu deter a mão assassina de Bush e seus asseclas. Agora, é preciso concentrar todos os esforços para que não se concretize o ataque ao povo iraniano. A experiência do Iraque deverá mobilizar- nos para abrir os olhos dos que ainda se deixam levar pela propaganda, para alegria e lucro infinito das indústrias de armas. Republicanos e democratas já estão recebendo milhões dessa indústria que quer desafogar seus estoques de armas obsoletas e testar outras.
Iolanda Toshie Ide