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?Bauru vai sofrer menos com chuvas?

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min


Ainda que a previsão meteorológica tenha adiantado que este verão será tradicionalmente chuvoso, a Defesa Civil de Bauru acredita que a cidade e seus moradores sofrerão menos com os efeitos dos temporais neste ano. Isso porque, segundo o coordenador do órgão, Álvaro de Brito, o município passou a contar com o chamado "ciclo completo" de Defesa Civil, que inclui investimentos simultâneos em drenagem, em estrutura de órgãos que lidam diretamente com as frentes de combate às enchentes e retirada de populações de áreas de risco.

De acordo com o coordenador, entre 2011 e 2012, a prefeitura programou investir R$ 10 milhões em 30 quilômetros de galerias de águas pluviais que serão distribuídas em vários pontos da cidade. Parte delas será instalada em bairros que margeiam o piscinão da Água do Sobrado, onde está projetada a construção de uma avenida.

As obras da barragem estão sendo executadas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e contrapartida municipal. "Haverá uma remodelação em termos de asfalto e galerias em toda a região, que incluem Parque Viaduto, Alto Paraíso e vilas São João, Nova Celina e Nova Paulista, entre outros", frisa Brito.

Ele destaca que, mesmo que a construção da avenida demore, o piscinão já terá a função de drenar toda a água da chuva que desemboca no córrego Água do Sobrado e segue em direção à avenida Alfredo Maia, ponto crítico de enchentes em Bauru. "O acúmulo de água naquela região deverá ser amenizado. O problema é que a cidade cresceu sem os investimentos necessários. Hoje, dentro do possível, correções têm sido feitas para minimizar o impacto da natureza sobre esta ocupação desordenada", pondera.

Outra frente essencial de combate a catástrofes que já vem sendo implementada é o desfavelamento de áreas ocupadas irregularmente, como o Jardim Ivone, Parque Real, Maria Célia e Jardim Vitória. A iniciativa da prefeitura, em parceria com a Caixa Econômica Federal, é desenvolvida por meio do "Programa Minha Casa, Minha Vida",

"Após transferir os moradores, os terrenos irregularmente ocupados foram transformados em praças, bosques e parques para que não haja retomada de habitações precárias. Ao mesmo tempo, estas áreas verdes são importantes para manter espaços em que o solo não fique impermeabilizado", defende Brito.


Sucção a vácuo

Ao mesmo tempo, ele aponta que os órgãos que atuam em caso de emergências em dias de temporal ? entre eles Departamento de Água e Esgoto (DAE), Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), e secretarias municipais de Obras, das Administrações Regionais (Sear) e de Meio Ambiente (Semma) ? também receberam investimentos em termos de materiais e equipamentos. "São pouquíssimos municípios que cumprem este ciclo completo", enfatiza o coordenador da Defesa Civil.

Entre as novas aquisições do órgão, ele destaca a compra de uma máquina de sucção a vácuo, avaliada em R$ 400 mil, que deverá entrar em operação em breve. O equipamento, usado para desentupir galerias, realizará em poucos segundos o trabalho que, executado manualmente, leva mais de meia hora. "Com isso, poderemos fazer a limpeza de galerias de um bairro num único dia. Isso é algo impensável hoje em dia", pontua.

De acordo com Brito, o investimento só foi necessário porque a falta de educação e consciência ambiental da população ainda é grande. "Infelizmente, a gente ainda encontra de tudo dentro das galerias. Desde sacos de lixo e coco verde em grande quantidade até pedaços de eletrodomésticos, computadores e celulares", pontua.


Na Nações, risco permanece

Local de constantes inundações nesta época do ano, a avenida Nações Unidas ainda não receberá solução definitiva dentro do plano de melhorias do município. Com galerias incapazes de drenar todo o fluxo d?água em dias de chuva forte, a via deverá continuar alagando durante este verão.

Em dezembro de 2010, foi esta mesma estrutura precária que tirou a vida do jovem Rafael Franco Zontini, 24 anos, que acabou morrendo afogado após ser arrastado por cinco quadras em uma enxurrada que tomou a Nações Unidas. Para evitar as típicas correntezas, duas opções seriam possíveis se o município contasse com recursos financeiros suficientes.

Uma delas seria levar adiante o projeto de construir um piscinão no Parque Vitória Régia, uma alternativa que está longe de ser uma unanimidade devido ao alto custo político que seria transformar a paisagem do principal cartão-postal da cidade, mesmo que por poucos dias no ano.

A outra solução seria criar reservatórios para captar a água da chuva nas partes altas que margeiam a avenida Nações Unidas e lançá-la no sentido contrário, ou seja, ao invés de a água ser canalizada para o ribeirão da Flores, que existe debaixo da Nações e transborda toda vez que chove forte, ela seria desviada para o lado oposto, diminuindo a quantidade de água na avenida.

"Mas executar as obras necessárias é uma tarefa complexa e cara. A Nações, uma região de várzea, foi impermeabilizada sem que houvesse canais subterrâneos de porte suficiente para direcionar toda a água que vem de todo lado, como da rodovia Marechal Rondon, avenida Getúlio Vargas e alameda Octávio Pinheiro Brisolla", enumera.

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