Cairo - Ministros das Relações Exteriores da Liga Árabe se encontram ontem no Cairo, capital egípcia, para debater os resultados apresentados pela missão de observadores do órgão enviada à Síria para avaliar a situação dos direitos humanos no país.
O chefe dos observadores na Síria, o general sudanês Mohammed Dabi, responsável por supervisionar a aplicação do plano árabe para superar a crise, apresenta seu primeiro informe à Liga Árabe.Segundo um relatório preliminar, a missão constatou que a violência continua no país. O documento deve destacar ainda que as forças militares permanecem mobilizadas nas cidades.Este primeiro informe ocorre em um contexto de crescentes chamados para que a questão síria seja transferida à ONU. A oposição síria acusou os observadores de serem “manipulados’’ pelo regime de Bashar Assad, e a Liga Árabe de ser incapaz de pôr fim à violência.
A Liga Árabe enviou em 26 de dezembro cerca de cem observadores para verificar o cumprimento de um plano de paz para o país. O acordo propõe o fim de todos os conflitos, a retirada de soldados das ruas e a libertação de prisioneiros políticos. Grupos opositores afirmam, porém, que a repressão aos protestos continua.
Fontes diplomáticas que tiveram acesso ao documento disseram que o relatório comprova a presença de veículos do Exérciwwwto na maioria das cidades visitadas pelos observadores, que afirmam ter visto corpos nas ruas, embora oposição e regime se acusem mutuamente da autoria das mortes.
Repressão
O Observatório Sírio de Direitos Humanos afirmou que 11 soldados morreram e 20 ficaram feridos na noite de anteontem em confrontos com desertores em Basr al-Harir, província de Deraa (sul da Síria). Os confrontos também provocaram a morte de 21 civis, entre eles quatro manifestantes favoráveis ao ditador Assad.
Os observadores denunciam ter sofrido “assédio’’ tanto por parte do regime sírio quanto da oposição, que buscam convencer os observadores sobre suas respectivas opiniões. A delegação da Liga reivindica maior liberdade de movimentos para trabalhar.
A ONU calcula em mais de 5.000 pessoas o número de mortes na repressão aos protestos contra Assad, que já duram dez meses.
Autoridades sírias dizem que enfrentam grupos terroristas, que já mataram 2.000 membros da polícia e das forças armadas nos dez meses do conflitwo. A Síria impede a maioria dos jornalistas independentes de atuarem no país, o que impossibilita a apuração independente das informações.