Brasília - Depois dos casos de silicone adulterado das marcas francesa PIP e da holandesa Rofil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou ontem a criação de dois cadastros para monitorar os implantes de seios no País.
A Anvisa vai dispor um formulário na Internet em que as mulheres poderão fornecer dados sobre a cirurgia de implantes de silicone nos seios, podendo informar sobre problemas com a prótese ou tirar dúvidas. O preenchimento é voluntário.
Outra iniciativa prevê a criação de um cadastro para os médicos, chamado de registro nacional. Após a cirurgia, os profissionais de saúde informarão imediatamente o motivo da operação, local da cirurgia, dados da paciente e também da prótese mamária usada. O banco de dados é semelhante ao de próteses ortopédicas da Anvisa, existente há quatro anos.
O médico não será obrigado a fornecer os dados. O diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, estima que o banco de dados comece a funcionar dentro de dois meses. No começo da semana, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica já havia anunciado a criação de um cadastro próprio para também acompanhar os implantes mamários, que entra em vigor este mês.
A estimativa é que existam de 300 mil a 400 mil mulheres com próteses mamárias no Brasil. Das marcas PIP e Rofil, são cerca de 12,5 mil portadoras e 7 mil portadoras respectivamente.
A diretoria e técnicos da Anvisa reuniram-se ontem com representantes dos cirurgiões plásticos e mastologistas para definir o atendimento a pacientes com próteses das duas marcas, acusadas de terem usado silicone industrial.
SUS e convênios cobrirão troca
Brasília - Após reunião com entidades médicas e os ministérios da Saúde e Justiça, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou ontem que o governo vai permitir a troca de próteses mamárias rompidas da marca PIP e Rofil usando planos de saúde particulares ou o Sistema Único de Saúde (SUS). A medida vale também para as pacientes que colocaram o implante para fins estritamente estéticos.
Antes da decisão, o Ministério da Saúde informava que o SUS cobriria a troca dos silicones apenas das pacientes que originalmente colocaram os implantes após mastectomia. "(No caso da) mulher que tem um implante colocado na rede privada por uma questão estética, na medida em que esse implante se rompeu, há o entendimento do governo de que esse procedimento agora é reparador, o que significa retirar a prótese que tenha rompido e implantar uma nova", disse o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano. "Esse procedimento poderá ser feito pelo SUS e será garantido pelos planos de saúde, porque eles também garantem as cirurgias reparadoras", acrescentou.
Segundo Barbano, as entidades médicas vão fechar com o Ministério da Saúde um protocolo de atendimento.