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Diarista nega ter conversado por telefone com Fernandes

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

A diarista que consta como testemunha protegida no processo que corre contra Sandro Luiz Fernandes negou, ontem, que tenha mantido qualquer contato com o advogado bauruense depois que deixou de trabalhar na casa dele, em 2010. Em depoimento prestado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru, ela afirma que não é dela a voz feminina que aparece em uma gravação telefônica divulgada pela defesa do réu no último sábado.

A conversa com Sandro teria ocorrido no dia 7 de dezembro. Ele e sua esposa, Fernanda Gomes Fernandes, afirmam que a mulher ao telefone é a ex-empregada. Na ligação, uma pessoa revela que mentiu ao denunciar Sandro por abuso sexual em troca de R$ 5 mil, que seriam pagos por uma das quatro vítimas do processo - uma familiar do réu, de 19 anos.

Na tarde de ontem, a diarista procurou a DDM para desmentir o casal. Segundo o advogado que passou a representá-la, Luiz Henrique Martim Herrera, a mulher relatou à delegada Priscila Bianchini de Assunção Alferes que desconhece o teor e a origem da conversa telefônica gravada em vídeo por Sandro.

"Ela diz que não manteve qualquer contato com Sandro desde que deixou de trabalhar na casa da família, em 2010, após ser vítima de atentado violento ao pudor (pela nova legislação, o crime passou a ser considerado estupro)", frisa.

A diarista, entretanto, perdeu o prazo legal de seis meses para oferecer a denúncia e, por este motivo, passou a constar no processo apenas como testemunha protegida ? o que, em teoria, garante que somente o juiz Jaime Ferreira Menino, que preside o caso, tenha acesso à sua identidade. De acordo com Herrera, a ex-empregada está com medo de sofrer represálias e somente este instrumento jurídico não será capaz de garantir sua integridade física.

"No depoimento na DDM, chegou a relatar que viu, em algumas ocasiões, um carro preto parado próximo a casa dela. Ela tem cinco filhos, marido e teme pelo que pode ocorrer", comenta. Em entrevista concedida com exclusividade ao JC na última terça-feira, a diarista já havia revelado temer por sua vida e de seus familiares.


Proteção

Por este motivo, o advogado pretende pedir para que o juiz a inclua no programa de proteção a testemunhas. A intenção é que ela possa contar com acompanhamento policial 24 horas por dia. "Ela é uma pessoa simples e está assustada com todo este clamor público. Até então, era apenas uma testemunha do processo. Agora, é apontada pelo réu como possível álibi para ele se safar das acusações de estupro", pontua.

De qualquer maneira, a gravação feita por Sandro ainda deverá ser submetida à perícia para comprovar se a voz é mesmo da diarista. O estudo deve demorar alguns meses para ficar pronto.

Ainda de acordo com Herrera, sua cliente confirmou que se apresentou voluntariamente à polícia, em meados de setembro do ano passado, depois de abordar uma das supostas vítimas na rua. A garota, uma familiar de Sandro de 19 anos que já o havia denunciado, estava acompanhada de um investigador de polícia e, na presença dele, a diarista revelou que também havia sido abusada sexualmente.

Diante da ratificação da versão inicial do depoimento que ela já havia prestado em agosto do ano passado, Herrera estuda processar Sandro Fernandes por calúnia. "Ao dizer que ela mentiu ao denunciá-lo, o réu diz que ela cometeu um crime, chamado denunciação caluniosa. E ele poderá responder por isso", pontua.


Suposta coação

O advogado da diarista, Luiz Henrique Martim Herrera, também adianta que poderá solicitar na Justiça investigação por suposta coação de testemunha no curso do processo. No seu entendimento, mesmo não sendo a ex-empregada a interlocutora do diálogo que Sandro apresentou à imprensa, a mulher foi exposta de tal maneira que se sentiu pressionada e amedrontada por toda a comoção causada.

"Ela recebeu inúmeras ligações de gente desconhecida. O número do telefone dela foi parar nas mãos da imprensa e ela se sentiu coagida. Com medo, ela poderia, inclusive, ter sido levada a não dizer tudo o que deveria ser dito", pondera.

Ainda ontem, advogados de defesa e assistência de acusação foram procurados pela reportagem do JC. O advogado do casal Fernandes, Ricardo Ponzetto, preferiu não se manifestar.

Já Evandro Dias Joaquim, que representa duas das quatro vítimas do processo, afirmou que as declarações da diarista comprovam o que já era de conhecimento das denunciantes. "Este vídeo é uma farsa. A defesa disse que os réus não seriam ingênuos de dar um tiro no próprio pé. Mas eles foram capazes de dar um tiro no próprio peito", conclui.

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