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Retirada de famílias deixa rastro de destruição em S. J. dos Campos

Felipe Luchete e Rogério Pagnan, Enviados especiais
| Tempo de leitura: 2 min

São José dos Campos - A reintegração de posse de uma área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos, deixou um rastro de destruição nas ruas da cidade do interior paulista ontem.


Um homem levou um tiro nas costas e está hospitalizado. Outras dez pessoas ficaram feridas - entre elas um PM e um assessor enviado pela Presidência da República para acompanhar a ação- numa série de confrontos que se espalharam pelos bairros vizinhos, na periferia. Até as 20h, ainda havia focos de conflito. Atendendo a uma determinação da Justiça estadual, a Polícia Militar iniciou a operação por volta das 6h.


A área, pertencente à massa falida de uma empresa do megainvestidor Naji Nahas, foi invadida em 2004. Atualmente, cerca de 6 milpessoas moravam no terreno. Ontem, cerca de 3 mil estavam no local - metade já havia deixado suas casas com medo de um possível conflito.


Parte dos moradores chamou a atenção do país ao formar um exército improvisado para resistir à polícia. Com escudos de latão, porretes e capacetes de motociclistas, passaram as últimas semanas à espera. Ontem, poucos usaram a indumentária. Isso porque disseram ter sido pegos de surpresa pela operação.


Um centro poliesportivo, onde foram montadas tendas pela prefeitura para atendimento de moradores que perderam as casas foi depredado.


Foi em torno desse centro, próximo à área desocupada,  que ocorreram os principais confrontos ontem. Foi num deles que uma pessoa foi baleada durante um conflito com guardas municipais.


Um inquérito foi aberto pela Polícia Civil para identificar o responsável pelo disparo.


O comando da PM diz que o tiro não partiu de seus homens, já que arma utilizada foi um revolver calibre 38, armamento aposentado pela corporação. A guarda de Sâo José dos Campos utiliza 38.


Postagem em redes sociais na internet falavam de mortes aumentando o pânico.


Houve um espancamento, presenciado pela reportagem, de um homem por um grupo de guardas civis.  A guarda não explicou os motivos. “Isso aqui está uma praça de guerra. São esses maloqueiros que querem depredar tudo”, disse o comandante da guarda, Jorge de Assis Pinheiro.


Seis veículos foram incendiados por moradores, dois deles pertencentes a empresas de comunicação que acompanhavam a ação. Dezesseis pessoas foram detidas sob a suspeita de  vandalismo.


Segundo a PM, parte dos presos não era de moradores.


Havia vários representantes de movimentos sociais -a invasão tinha apoio de sindicatos e partidos de extrema esquerda, como o PSTU.



Estrada fechada


A rodovia Presidente Dutra chegou a ser interditada por um grupo de pessoas em apoio às famílias retiradas. Uma pessoa foi presa em flagrante ao atacar um carro da PM.  Até um carro do bombeiro foi atacado a pedradas.


O advogado que representa os moradores, Antonio Donizete Ferreira, afirma ter sido baleado na virilha, no joelho e nas costas com balas de borracha. A polícia também usou bombas de gás.


O comando da PM disse que, na área desocupação, houve resistência mínima.  Segundo a coporação, foram utilizados cerca de 2 mil policiais e bombeiros. A operação deve prosseguir hoje.

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