Brasília - O comando do PMDB operou para evitar a demissão do diretor-geral do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Elias Fernandes, indicado para o cargo pelo líder do partido na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN).
A reportagem apurou que o ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional) já havia expressado esse desejo à Casa Civil, mas o partido conseguiu reverter a decisão ao menos por enquanto.
A demissão de Fernandes seria uma resposta do ministério a relatório da Controladoria Geral da União (CGU) de 2011 que aponta desvios de R$ 192 milhões na estatal entre 2008 e 2010, período em que Fernandes está no comando do órgão. Ele entrou no cargo em 2007.
Na última quinta-feira, porém, o ministro foi chamado para uma conversa no gabinete do vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) para tratar do assunto. Henrique Alves participou da conversa.
No encontro, decidiu-se que o relatório da CGU será encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU) para análise dos desvios apontados e para que Fernandes tenha mais prazo para se defender, o que evitou a demissão.
A conversa do comando do PMDB com o ministro ocorre no momento em que Bezerra está fragilizado com denúncias de direcionamento de verba de sua pasta para seu reduto eleitoral, nepotismo e favorecimento a seu filho, o deputado Fernando Coelho (PSB-PE).
No depoimento ao Congresso sobre esses fatos, Bezerra contou com o apoio do PMDB que defendeu sua permanência no ministério. Henrique Alves interrompeu o recesso para defender o ministro em Brasília.
Justamente para não perder apoio do partido, o ministro chamou ontem para uma conversa o deputado Danilo Forte (PMDB-CE). O peemedebista havia condenado a decisão do ministro de demitir o diretor administrativo do Dnocs, Albert Gradvoh, e poupar o diretor-geral, embora o relatório da CGU divida a responsabilidade dos problemas de gestão no órgão com todos os dirigentes.