Internacional

FMI pressiona União Europeia; Roubini prevê a desintegração da zona do euro


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Davos - A União Europeia foi o foco de algumas das principais autoridades e especialistas a se manifestarem ontem na cidade suíça de Davos, durante o Fórum Econômico Mundial.


A diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, pressionou para que a União Europeia consolide rapidamente um plano “claro e simples” para conter o contágio da crise que se alastra pelo bloco.


“Ninguém está imune à situação europeia”, porque o mundo “nunca esteve tão conectado”, advertiu a chefe do FMI, acrescentando que os países do bloco precisam adaptar as medidas de ajuste fiscal (redução dos déficits públicos) à realidade de cada país, com incentivos às políticas de crescimento econômico.


Sem esquecer dos Estados Unidos e Japão, que carregam déficits fiscais até maiores que alguns países do Velho Continente, a titular do Fundo pediu que os dois gigantes econômicos façam esforços para reduzir suas enormes dívidas.



‘Doutor Doom”


Conhecido por sua antecipação da crise de 2008, o economista Nouriel Roubini fez previsões sombrias para o bloco europeu no curto prazo, durante sua participação no Fórum suíço.


“Há 50% de probabilidades de que a zona do euro se desintegre em três ou cinco anos”, disse ele.


Para o especialista, apelidado de “Doutor Doom” por seus prognósticos, a Grécia deve abandonar o bloco da moeda comum em um ano, sendo seguida, “provavelmente”, pela nação portuguesa, outra economia bastante fragilizada do Velho Continente.


Roubini vê tempos difíceis para a economia mundial nos próximos anos, reforçando as projeções do FMI de taxas ainda menores de crescimento (e de recessão) para alguns países.


“Nós vivemos em um mundo onde há uma enorme quantia de fragilidade econômica e financeira. Há um bocado de incerteza macro, financeira, fiscal, soberana, bancária, regulatória, de taxações. Há também incertezas políticas e geopolíticas”, afirmou, citando como exemplo, o atrito entre os países ocidentais e o Irã na questão nuclear.



UE quer controlar gregos


Uma das propostas para permitir o cancelamento de pelo menos 50% da dívida da Grécia seria que a União Europeia assumisse a tutela orçamentária do país.


Segundo reportagem publicada no jornal “Financial Times”, o bloco exerceria um “controle estrito” sobre as contas gregas.


Assim, a União Europeia poderia vetar decisões orçamentárias tomadas pela Grécia que não estivessem alinhadas com as metas estipuladas pelos credores internacionais. A ideia, de acordo com a publicação, teria sido da Alemanha.


Fontes do governo grego afirmaram a agências internacionais que o país “não discute essa possibilidade” e que a responsabilidade orçamentária compete à “soberania nacional”.


Entre as metas do plano, estaria também o corte de 150 mil funcionários públicos no prazo de três anos.


Para Grécia, o fechamento desse acordo é fundamental para que o país tenha mais recursos financeiros do bloco e do FMI, necessários para pagar suas contas em dia e evitar um “default” já previsto para março, quando tem vencimentos para arcar.  O objetivo é encerrar as negociações ainda hoje, antes da reunião de cúpula da UE, marcada para amanhã, em Bruxelas.



Acordo pode estar próximo


A Grécia e seus credores privados retornaram à mesa de negociações ontem, para juntar as peças finais de aguardado um acordo de swap da dívida necessário para evitar um default incontrolável.


Depois de semanas após rodadas de negociações inconclusivas, elas parecem estar em sua fase final, com ambos os lados na esperança de garantir um acordo preliminar antes da reunião de cúpula da União Europeia amanhã.

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