Tribuna do Leitor

Oremos!


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Refiro-me ao artigo "Judiciário engrandecido", do jornalista Zarcillo Barbosa (JC pág.2, 5/2). Nele, o jornalista endossa a tese do ministro Gilmar Mendes, do STF, que nas preliminares de seu voto sobre até onde pode laborar um(a) corregedor(a) do Conselho Nacional de Justiça(CNJ) - matéria então apreciada e em votação - postulou a premissa de que "até as pedras sabem que as "corregedorias"(!) não funcionam, quando se trata de investigar os próprios pares"(sic), do que discordo. Já Zarcillo Barbosa, em seu artigo, procurou especificar tais corregedorias, afirmando que "sabemos nós que as corregedorias ?regionais?(!) são como cães de guarda desdentados"(sic), ou seja, mordem mas não ferem. E disto também discordo, porque uma corregedora do CNJ (portanto, não regional) e ao mesmo tempo ministra do STJ desde junho de 1999, por liminares concedidas por dois ministros do STF, estava impedida de continuar a exercer a sua obrigação, seu ofício. Talvez, consciente ou inconscientemente, a afirmação do jornalista tenha sido para suprir o ato falho de Gilmar Mendes, que não se lembrou de uma corregedora que tem dentes, sim, e... morde! Eis aí a razão de minha discordância da assertiva de Zarcillo, com todo o meu respeito.

Primeiro pela generalização de seu ponto de vista; depois - e principalmente - porque o motivo ou causa dessa verdadeira reviravolta(para não dizer revolução) em todas as instâncias do judiciário pátrio(os leitores não perdem por esperar muitas surpresas) é decorrência da iniciativa daquela mesma corregedora do Conselho Nacional de Justiça, a dra. Eliana Calmon.

Então, toda e qualquer trama maliciosa e qualquer falsidade, senhor Barbosa, depende da estatura moral do agente que está em operação em qualquer evento ou qualquer causa! E, note bem, não só na Justiça, mas também nas polícias militares ou judiciárias, nas promotorias e nas procuradorias, ou então na iniciativa privada também. Depende da lisura e retidão do ministro, do desembargador, do juiz, do advogado ou do promotor, como também do procurador, passando pelas testemunhas e, "last but not least, pelo corregedor(a). Nessa cadeia são importantes também noções mínimas de ética, moral e justiça que cultivem o faxineiro de uma empresa, o seu presidente, o seu diretor financeiro e de quem mais trabalhe honestamente por sua sobrevivência. É que a cultura do suborno e da corrupção (ativa ou passiva) no Brasil, infelizmente vem se evoluindo e se refinando desde os tempos da Justiça do Império Português, que mandava para cá para cumprirem suas penas, leves e soltos, seus apenados irrecuperáveis que formaram, com o tempo e principalmente no nordeste, a "elite brasileira dos coronéis".

A meu ver, a grande surpresa de todo esse verdadeiro "imbroglio" foi, na realidade, o voto do ministro Dias Toffoli, que era tido, até agora, como um "pau mandado" de Lula e seu PT - ele foi advogado contratado de ambos e também do Sindicato dos Metalúrgicos do ABCD, no passado. Tudo faz crer que a "presidenta" está fazendo a cabeça do ministro caçula do STF e, creiam, a contragosto do seu padrinho. Ainda, ilustre jornalista Zarcillo Barbosa, há muita água para passar por sob a ponte! "Oremos" (Célio Barbosa. Saudade!)

João Guilherme Ortolan

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