O preconceito contra idade, raça, sexo, cor, credo religioso, tipo físico e quaisquer outras formas de discriminação, além de se configurar crime é uma característica de pessoas com cérebros limitados que, consciente ou inconscientemente, ainda possuem a visão e comportamento de homens e mulheres de neandhertais.
Em menos de 48 horas, aqui em Bauru, duas lamentáveis ocorrências. A primeira se materializou no episódio dantesco de uma das agências do Banco do Brasil local mandar uma carta citando o cliente pela alcunha de "Caro Negão". A segunda foi a brutal tentativa de homicídio praticada contra um travesti que tem todo o direito do mundo, desde que não esteja prejudicando terceiros, de praticar a sua opção sexual.
Na questão do Banco do Brasil, o mínimo que se espera é a punição dos responsáveis pelo setor de postagens da agência. Quanto ao brutal espancamento do travesti, é preciso que a justiça seja feita. Aliás, ele é gay também e, por ser covarde, age de forma enrustida, virando sua ira contra aqueles que tiveram coragem de sair do armário.
Gostaria de parabenizar a Associação Bauru pela Diversidade (ABD), que todas as vezes em que ocorrem essas monstruosidades já se posiciona publicamente e passa a acompanhar as investigações. Não é à toa que os homossexuais estão obtendo importantes vitórias sociais, políticas e principalmente jurídicas aqui no Brasil, sabiamente perceberam que só se unindo é que se impõe respeito e representatividade.
O Conselho Municipal da Comunidade Negra deveria também se manifestar sobre o Banco do Brasil e o "Caro Negão". Todavia, é necessário salientar que os negros brasileiros devem seguir os exemplos vitoriosos das comunidades gays e se unirem mais contra a discriminação e o preconceito. União essa que viria junto com os brancos não racistas.
Não estou generalizando e há as exceções, mas tem muitos negros que acham que fugir da própria cor ou discriminar a própria raça vai resolver o problema. Essa atitude, além de irracional, se torna combustível para o preconceito, a discriminação e a intolerância.
Pedro Valentim