Política

Dois diretores caem e MP vai apurar ?lavagem? da arquibancada pelo DAE

Nelson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Já virou rotina: mais uma vez, as críticas ao Departamento de Água e Esgoto (DAE) tomaram conta da sessão da Câmara Municipal de Bauru. A lavagem das arquibancadas do estádio do Noroeste na última quinta-feira, mostrada com exclusividade pelo Jornal da Cidade, foi o pano de fundo para discursos calorosos dos parlamentares de oposição e da base governista, que pediram punição aos responsáveis pelo uso de 220 mil litros de água tratada.

O fato indignou os vereadores, principalmente pela falta de água nas torneiras de moradores de diversas regiões da cidade, acentuada pela associação entre as deficiências no abastecimento e o calor intenso no dia.

A vereadora Chiara Ranieri cobrou punição aos responsáveis pelo pedido e pela liberação da lavagem das arquibancadas e pediu também a intervenção do promotor de Cidadania e Patrimônio Público, Fernando Masseli Helene. “Gostaria de chamar a sua atenção para que olhe essa situação e faça o que é de sua autoridade”, provocou.

A “lavagem” da arquibancada do Esporte Clube Noroeste com água de caminhão pipa pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) gerou a queda de Francisco Volpi e de Agenor de Souza das diretorias de Divisão e de Serviços, respectivamente, nesta segunda-feira. Na última sexta-feira, o JC levantou o uso de água para empurrar sujeira da arquibancada do Norusca para atender ao sorteio do programa Minha Casa Minha Vida, realizado no domingo (12).

Mas o próprio presidente do DAE, Fábio Lara, afirma que a queda dos diretores não resolve os problemas internos de gestão. “Pegar água de hidrante e reservatório para limpar a arquibancada com caminhão pipa é um absurdo. E isso acontecer nos dias em que houve pico de falta de água em razão do calor prejudicava a cidade foi inconcebível. A saída dos diretores tem relação direta com o problema, mas temos enormes problemas a resolver em diversos setores do DAE e vamos atacar”, diz Lara.

A sindicância administrativa ainda não foi aberta pelo DAE, justificativa dada pelo presidente para não fornecer relatório detalhando como o serviço de lavagem da arquibancada foi realizado Nos bastidores, a direção da autarquia indica ganhar tempo para lidar com a crise e os desencontros de informação. Francisco Volpi será substituído por Fabiano Gavaldão, ligado ao ex-presidente da Emdurb, Rubito Ribeiro. Para a vaga do motorista Agenor de Souza, que exercia a função de diretor de serviços, ainda não há indicação.

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) reforçou que o presidente “tem todo o apoio para fazer as modificações que precisa. Eu não teria autorizado retirar água para lavar arquibancada. Foi um absurdo. Dou razão para a oposição, eles estão certos em criticar. Pagamos o prejuízo político de mais um erro do DAE. Há muito o que mudar no DAE e vamos fazer as mudanças”.

Confira a matéria completa na edição desta terça-feira do Jornal da Cidade

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