Nelson Minucci/ Repórter na Rua |
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Os vereadores Osvaldo Barbosa e José Claudinei Messias (foto) são acusados de irregularidades quando eram presidentes da Câmara |
O vereador José Claudinei Messias (PMDB) escapou da cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar na sessão desta quarta-feira (16), na Câmara de Ourinhos (120 quilômetros de Bauru). Seis parlamentares votaram a favor da cassação e quatro foram contrários, mas como não atingiu o quórum de maioria de dois terços o peemedebista permanecerá no cargo. A votação foi secreta e durou seis horas.
Messias foi acusado de participação de suposto esquema de corrupção, tido como o maior da cidade, que movimentou irregularmente, entre 2006 e 2008, mais de R$ 7 milhões do Legislativo. Os acusados são Osvaldo Barbosa (PSDB) - que renunciou ao mandato - e Messias que assumiu a cadeira no lugar do tucano no ano passado, ambos réus em ação civil pública movida pelo Ministério Público de praticarem as irregularidades quando eram presidentes da Câmara. Os dois tiveram a ajuda do contador José Cláudio Ribeiro e de ao menos dez empresas, algumas fantasmas, que emitiam notas fiscais frias, segundo o promotor Adelino Lorenzetti Neto.
Messias negou envolvimento no desvio de cerca de R$ 7 milhões. Ele ocupou as duas horas para fazer a defesa na tribuna do Legislativo. Se considerou acusado injustamente por suposto prejulgamento. O peemedebista alegou que a perícia contábil não comprovou seu envolvimento nos desvios e nem na movimentação. Pelo menos cerca de R$ 80 mil não foram encontrados na contabilidade. As quantias sacadas na boca do caixa foram explicadas como dinheiro destinado à aplicação financeira.
Em 2006, o Messias, que presidia a Câmara, sacou mais de R$ 1,5 milhão na 'boca do caixa' na agência 0327 da Caixa Econômica. No ano seguinte, o presidente era o Barbosa. Ele sacou quase R$ 1,8 milhão e, em 2008, o saque diminuiu. Foi de: R$ 1.087.228,14.
Após a leitura do parecer da Comissão Processante, cinco vereadores se manifestaram pela cassação do mandato. O vereador Fauez Salmen (PSDB) foi o único dos quatro contra a cassação que usou a tribuna em defesa de Messias. O peemedebista, no entanto, continua réu em ações na Justiça por improbidade administrativa.
Leia na edição impressa de amanhã (17) do JC.
