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Desfile deste ano é considerado ?chave?

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 5 min

O Momo já se “enfeita” com mais glamour e a paixão pelos desfiles de escolas de samba e blocos, adormecida por quase uma década, em Bauru, desde a retomada, no ano passado, das evoluções competitivas no Sambódromo Municipal, chega ao momento decisivo. 

 

Os desfiles carnavalescos retomarão o status alcançado nos anos 198

/199

, quando Bauru chegou a ter o melhor Carnaval do interior? Qual o futuro da festa popular na cidade? Voltará ao brilho do passado ou ficará apenas na memória?

 

Com a palavra, protagonistas, prefeitura, admiradores e analistas. No início do mês, neste mesmo espaço, o Jornal da Cidade questionou, entre acadêmicos e carnavalescos, se a “festa de Momo” mantinha o sentido de “outros carnavais” ou havia se tornado apenas mais um mero feriado prolongado. 

 

Entre eles, apesar das diferentes visões acerca da festa, um consenso: a espontaneidade é o espírito maior dos quatro dias de folia. Independentemente a incentivos, sejam eles governamentais ou iniciativas de lideranças de bairros e agremiações, as manifestações espontâneas, tanto para desfiles quanto folias de rua, precisam ser mantidas. 

 

É com esse espírito que entusiastas do Carnaval em Bauru apostam nos dois dias de evoluções de passistas e destaques nas alegorias que descerão a passarela do samba no núcleo Geisel. 

 

Com samba no pé e enredo na ponta da língua, as seis escolas e cinco blocos não têm mais o que fazer no quesito preparação. A partir de agora, até logo mais à noite, quem dá o tom é a expectativa. “O desfile voltará a crescer”, crava Aparecida Brito Caleda, a “Cidinha do Azulão”

 

Presidente da agremiação campeã do primeiro desfile com competição desde a retomada após o hiato de dez anos sem carnaval de sambódromo, Cidinha acredita que a evolução das apresentações segue um maior grau de exigência tanto dos protagonistas quanto do próprio público. “As próprias escolas, além do público, cobram uma melhora do desfile, ano a ano”, observa. 

 

Ano passado, a atual vencedora do carnaval bauruense apresentou sua performance com 215 integrantes.  Para este ano, estima a presidente, cerca de 3

pessoas, divididas entre três alegorias, além do carro abre-alas, deverão desfilar pela agremiação do Parque Jaraguá, que, neste ano, homenageia o arquiteto bauruense Jurandyr Bueno Filho, com o enredo “Arquitetando e Inspirando Emoções...”. 

 

Apesar de acreditar na volta dos desfiles carnavalescos até mesmo em ritmo semelhante ao esplendor atingido na virada dos anos 198

para 199

, quando as agremiações chegaram a levar mais de 1.5

pessoas, cada uma, ao evento então realizado na avenida Nações Unidas, Cidinha diz confiar numa evolução a médio e longo prazos. “A retomada é gradual”, diferencia.

 

Para ela, a chave da volta ao esplendor do Carnaval de Bauru depende mais do que as escolas receberem aportes financeiros da prefeitura ou iniciativa privada. “É preciso motivar os mais jovens a entender o que é de fato o Carnaval”, salienta. “Os mais novos têm de aprender, precisam de motivação”, atribui. 

 

 

Motivação e trabalho ‘puxam’ a retomada

 

O passo a passo para o sucesso de outrora também é defendido por Pasqual Storniolo, presidente da Acadêmicos da Cartola. Uma das agremiações que chegou a levar milhares de participantes ao antigo carnaval da Nações, hoje, a representatividade do Parque Vista Alegre praticamente  dobrou o contingente do ano passado.

 

Em 2

11, 38

integrantes defenderam a escola na passarela do samba. Para este ano, a estimativa é de que em torno de 6

entusiastas participem do evento, calcula o presidente. 

 

Até o final da semana passada, marcado pelos ajustes e ensaios finais, quase quarenta pessoas aguardavam em lista de espera, segundo Pasqual, na expectativa de ainda desfilar pela Cartola em caso de eventual desistência. “Isso nunca aconteceu antes”, impressiona-se Storniolo. 

 

Ele admite que o incentivo financeiro é importante. Contudo, salienta o representante de escola de samba, a força motriz do Carnaval são os entusiastas. 

 

Abafada a chama da espontaneidade popular, apagada a festa, considera ele, atribuindo à união de forças entre escolas, iniciativa privada, poder público para uma possível retomada aos apoteóticos desfiles de décadas passadas. “Depende dessa união para conseguirmos chegar àquele Carnaval já tido como o melhor do interior até 2

1”, acredita. 

 

Material humano para o desafio, observa Pasqual, não falta. “O que mais temos aqui em Bauru são pessoas competentes para fazer isso, desde carnavalescos, ritmistas, compositores, mestres de bateria...Temos de saber aproveitar, dar oportunidade para essas pessoas”, relaciona. 

 

Caso haja uma evolução no desfile em comparação ao ano passado, salienta o presidente da Cartola, existem grandes possibilidades até mesmo, confia, do desfile carnavalesco chegar a patamar semelhante ao observado na saudosa festa da Nações Unidas. “Aposto muito neste Carnaval. A minha escola melhorou em relação ao ano passado. Veremos as outras, o que farão, para que melhoresmos passo a passo. Caso a gente siga a melhora, confio que em cinco anos a gente possa retornar ao patamar dos desfiles do passado”, vislumbra. 

 

A origem do samba no Brasil

 

O samba chegou ao Brasil por meio da chegada dos primeiros escravos negros, que trouxeram sua cultura nos navios negreiros portugueses. O samba é uma mistura de música brasileira e africana, que visa falar sobre o cotidiano da população, principalmente a mais pobre, de forma cantada, utilizando instrumentos de percussão como timbau, surdo e tambores, unidos com instrumentos como o cavaquinho e violão.

 

O samba começou na Bahia, com pequenas reuniões de amigos para cantar e dançar, depois, em 1917, o primeiro samba foi gravado: “Pelo Telefone”. Teve sua letra escrita por Mauro de Almeida e Donga. Depois disso o samba não parou mais! Na década de 3

os grandes sambistas se consagravam e o samba conquistava as estações de rádio com: Cartola, Noel Rosa, Dorival Caymmi (O Que Que a Baiana Tem?), Adoniran Barbosa e Ary Barroso são alguns exemplos. Posteriormente, em 7

, 8

, surgiram uma nova geração de sambistas como: Jorge Aragão, Elza Soares, Beth Carvalho, Chico Buarque, João Bosco, entre outros.

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