Agudos – A dona de casa Cleide Rodrigues Nunes, 31 anos, mãe do adolescente de 14 anos que planejou e participou da tentativa de homicídio triplamente qualificada contra o próprio pai, Jaílson da Silva, 34 anos, na noite da última sexta-feira, em Agudos (13 quilômetros de Bauru), foi ouvida ontem pelo delegado que investiga o caso.
“Nas palavras dela, o adolescente sempre foi um garoto normal, bom filho. No entanto, de um ano para cá, ele teria se envolvido com drogas e mudado de comportamento”, conta o delegado César Ricardo do Nascimento. “Também hoje (ontem), ela disse que visitou o marido no Hospital de Base e ele teria falado as primeiras palavras desde que foi internado”.
Ainda segundo o delegado, Cleide revelou que, antes do crime, o adolescente teria dito que “não aguentava mais o pai”. “No depoimento, ela enfatizou que o Jaílson tem uma conduta bem firme com o filho e, por isso, os laços familiares entre os dois andavam enfraquecidos”, diz.
Durante todo o depoimento, chamou a atenção da Polícia Civil as insistentes declarações da dona de casa no sentido de defender seu filho, mesmo ciente da participação dele no crime. “Ficou claro que ela não quer ver o filho internado na Fundação Casa”, afirma o delegado. “A Cleide disse, inclusive, que espera que o marido ajude ela nesse sentido quando sair do hospital”.
Até o fechamento desta edição, o comerciante permanecia internado na Hope (espécie de ala intermediária da Unidade de Terapia Intensiva- UTI) do Hospital de Base (HB) de Bauru, em estado regular.
Relembre o caso
Na noite da última sexta-feira, o chaveiro Jaílson da Silva, de 34 anos, foi brutalmente atacado e esfaqueado em seu comércio, na rua Sete de Setembro, Centro de Agudos. Ele recebeu mais de 3
golpes no rosto, pescoço e tórax e teve o braço quebrado, provavelmente tentando se defender.
Num primeiro momento, seu filho chamou a polícia e comunicou que se tratava de uma tentativa de roubo e que o pai teria entrado em luta corporal com o ladrão. Com as características do suspeito, a equipe de Força Tática da PM localizou o padeiro Francisco Santana Portas, 32 anos, no bairro Professor Simões.
Além de assumir a autoria dos golpes, Portas revelou o nome do mandante do crime: o próprio filho de Jaílson. Ele também declarou que, a princípio, chegou a recusar a proposta mas, devido à insistência do menino, resolveu aceitar o “serviço”.
O acusado disse ainda que o adolescente teria arquitetado a morte do pai porque os dois “teriam muitos problemas”. Pela morte do comerciante, ele receberia o valor de R$ 4 mil. No momento da prisão, porém, a PM localizou com ele apenas R$ 411,
que havia sido subtraído do caixa.
Francisco, que já foi condenado por tentativa de latrocínio, foi preso em flagrante e encaminhado à Cadeia de Duartina. Se condenado, ele poderá pegar até 2
anos de prisão.
Em depoimento informal à polícia, o adolescente admitiu ter desferido a primeira facada contra o rosto do pai. Porém, na frente da mãe, ele acabou recuando. O jovem está sob custódia da Justiça no Núcleo de Atendimento Integrado (NAI) de Bauru. Como medida socioeducativa, ele pode cumprir até três anos de internação na Fundação Casa.
Rumos da investigação
Apesar de considerar que já possui provas suficientes para encaminhar o processo à Promotoria de Justiça, o delegado César Ricardo do Nascimento ainda deve colher alguns depoimentos em busca de mais detalhes do crime.
“Amanhã (hoje), quero conversar com o proprietário da padaria onde o Francisco estava trabalhando. O objetivo é precisar se alguma faca – que pode ser arma do crime - sumiu do local”, explica.
“Além disso, alguns policiais militares teriam feito vídeos logo que chegaram ao comércio e também quando o Francisco e o menor confessaram o crime. Quero ter acesso a esses vídeos para anexá-los ao processo”, completa.
Peça-chave no crime, Jaílson também pode ser ouvido caso a equipe médica responsável por sua recuperação autorize. “Tenho até a próxima terça para remeter o inquérito para o Fórum. Se possível, tentarei ouvi-lo ainda na semana que vem”, finaliza.