Ofunato - Com um minuto de silêncio, badalar de sinos e orações, o Japão marcou ontem o primeiro aniversário do terremoto seguido de tsunami que matou milhares de pessoas e desencadeou uma crise nuclear que destruiu a confiança do seu povo na energia atômica e nos líderes da nação.
Um ano depois que o terremoto de magnitude 9,
desencadeou uma parede de água que atingiu a costa nordeste do Japão, matando cerca de 16 mil e deixando quase 3.3
desaparecidos, o país ainda está lidando com os custos humano, econômico e político.
Ao longo da costa, a polícia e a guarda costeira, pressionados pelos familiares dos desaparecidos, ainda procuram em rios e praias por restos mortais, embora as chances de encontrá-los seja remota. Sem os corpos, milhares de pessoas estão em um estado de limbo emocional e legal.
Reconstrução
A reconstrução total das áreas atingidas pelo terremoto seguido por tsunami e acidentes nucleares no Japão deve levar pelo menos uma década, segundo especialistas do governo.
No país, cerca de 35
mil pessoas esperam por uma casa. Mais de 5
mil moradias temporárias foram construídas. Pelos dados do governo, os danos são superiores a 156 bilhões de euros.
A ideia é investir 213 bilhões de euros nos próximos dez anos. Nos primeiros cinco anos, 176 bilhões serão aplicados. Foram aprovados quatro orçamentos suplementares. Em fevereiro deste ano, foi criada a Agência da Reconstrução. O objetivo é que ela funcione até 2
2
, com representações nas regiões de Iwate, Miyagi e Fukushima, as mais afetadas pelo tsunami de março do ano passado.
O secretário de Estado para a Reconstrução, Kazuko Kori, disse que a dificuldade também é considerada grande quando se pensa o que fazer com “a quantidade de escombros” espalhada pelo país. A estimativa é que existam de 2
milhões a 25 milhões de toneladas.
Para o governo, outros desafios são a criação de emprego e o apoio psicológico às vítimas. No total, 163 países e 43 organizações internacionais ofereceram ajuda ao Japão até o ano passado. Um grupo de 29 países e organizações enviaram equipes de resgate após os desastres.
Apenas na região de Tohoku, no Nordeste do Japão, 342.5
9 pessoas foram deslocadas. Pelo menos 17 mil estão em casas de parentes e amigos, enquanto 324 mil moram em abrigos cedidos a custo zero pelo governo.