Douglas Reis |
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Área do viaduto 23 de Maio, na Duque com Nações, serve de abrigo para indigentes |
Sofá velho, roupas e comidas jogadas, erosão, mau cheiro e muito lixo. Quem passa pelas imediações do viaduto 23 de Maio, que faz o cruzamento das avenidas Duque de Caxias com a Nações Unidas, resiste em acreditar que o local, em plena área central e cartão de visita da cidade, esteja abrigando pessoas em condições precárias.
Entre a década de 8
e meados de 9
, o ponto era conhecido por abrigar a lanchonete Lelo’s, que servia drinks e batidas dos mais variados tipos. Há alguns anos a área foi transformada em um espaço de lazer para aposentados. Todas as tardes, moradores da região se reuniam para jogar baralho.
Ainda debaixo do pontilhão, na mesma época funcionava do outro lado da avenida uma base da Polícia Militar (PM) que acabou transferida para outro ponto, cedendo o espaço para uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Após as transformações, a área tornou-se ‘a pedra no sapato’ de quem frequentava o local, seja por moradores ou por pedestres que aguardam a chegada do ônibus no local.
“É triste ver o viaduto assim. Antes, aqui era tudo muito organizado e o pessoal frequentava o lugar para jogar truco, biriba ou buraco, mas agora esse pessoal dominou. Eles bebem e até drogas usam. Aqui virou ponto de prostituição também, ficou complicado” reclama o vigilante Adão Borges, 55 anos.
Alguns aposentados ainda se arriscam a aparecer por ali na parte da tarde para a ‘biriba’, segundo informaram os próprios moradores da região. Entretanto, o espaço, apesar de ser cercado por grades, apresentaria riscos por conta do lixo acumulado e do mau cheiro.
Na manhã de ontem, a equipe do JC esteve no local para conversar com os moradores do viaduto, mas apenas os resquícios da estadia na noite anterior foram encontrados.
Um sofá, uma bolsa com roupas, mantimentos, uma caixa de papelão com um travesseiro dentro, sapatos, meias, muitas embalagens de bebidas alcoólicas e até um pequeno fogão caseiro com uma grelha estavam depositados à frente do ‘clubinho da biriba’ dos aposentados.
Além do lixo e do mau cheiro, a área parece também sofrer com erosões e falta de manutenção na própria estrutura da ponte. Ao olhar para cima é possível observar árvores crescendo nas folgas entre as vigas de concreto.
Refúgio
Na parte lateral do viaduto 23 de Maio, próximo à área de convivência dos aposentados, um buraco de aproximadamente 5 metros abriga mais lixo e resquícios de ocupação.
Com um odor que mistura papéis e galhos queimados, o buraco possui em seu interior um recuo com extensão de aproximadamente 15 metros, que parece ser utilizado como uma espécie de banheiro e refúgio pelos ocupantes.
‘Não querem seguir as regras’, diz secretária
Ao ser questionada quanto à ocupação inadequada do viaduto, a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) reconheceu a situação e afirmou ter realizado algumas ações no local.
“Há algum tempo fizemos uma operação para identificar essas pessoas, mas é uma situação complicada. Apesar de ser um ponto de crack, o lugar é frequentado por não usuários também. São pessoas que acabam nessas condições por não quererem seguir as regras”, ressaltou a titular da pasta, Darlene Tendolo, enfatizando a questão do trabalho realizado, atualmente, nos abrigos para moradores em situação de rua em Bauru.
Segundo Darlene, outra equipe seria enviada ao local na noite de ontem e hoje pela manhã para identificar e conversar com os ocupantes do viaduto.
Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, as secretarias municipais de Cultura, Desenvolvimento e Planejamento estão estudando a implantação de um Posto de Informações Turísticas (PIT) e Espaço do Artesão debaixo do viaduto 23 de Maio, na pista bairro-Centro da avenida Nações Unidas.
A ideia foi sido aprovada pelo prefeito Rodrigo Agostinho e está em fase de estudo do local. Segundo a assessoria, o PIT abrangerá o espaço para jogo de damas já existente, sem alterá-lo. A intenção da prefeitura é revitalizar o local, sem prejudicar o que já existe.
“O espaço foi construído por moradores da região, sem a autorização da prefeitura. A Secretaria de Obras irá vistoriar a área nesta terça-feira, 2
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3, para verificar quais as medidas necessárias para recuperar a erosão do local”, encerra a nota oficial enviada ao JC.
Lixo e abandono
Apesar de estar localizado em uma área de intensa circulação, o espaço utilizado como refúgio por indigentes, que abriga entulho e lixo, não era reconhecido como uma área problemática pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma).
Ao saber do depósito de lixo no local, o secretário Valcirlei Silva ressaltou que a Emdurb, que seria a responsável pela manutenção do lixo e mato no trecho, não teria informado a Semma sobre a situação.
“Enviaremos agentes lá nesta semana para recolher esse material e cortar essas árvores que nasceram na estrutura do viaduto. Não sabíamos que estava desse jeito”, afirmou o secretário.
Acionado pela reportagem, o tenente Sayki informa que a Polícia já reforçou o patrulhamento no local e que sempre faz abordagens junto às pessoas que costumam ficar debaixo do viaduto.
“Há usuários de drogas que ficam lá, mas nunca foi encontrada grande quantidade de entorpecentes com eles e nunca houve problemas mais graves, como brigas generalizadas e agressões. Se não há delito, a polícia não pode agir de outra forma que não seja com o aumento da fiscalização”, observa.
Segundo o tenente, a PM já solicitou à prefeitura que faça melhorias na iluminação do local e que providencie solução para a erosão que surgiu debaixo do viaduto.
