O porte dos bichos intimida. Com facilidade, passam dos 10 metros de comprimento, e seu peso chega a 13 toneladas. Mas os tubarões-baleia são inofensivos e, com sorte, é possível nadar ao lado de dezenas deles nas águas transparentes de Cancún.
O passeio exige que se acorde bem cedo. Às 7 horas, o barco zarpa de Punta Cancún em direção à região entre as ilhas Contoy, Holbox e Mujeres, onde, de maio a setembro, os animais se concentram, vindos de Belize em busca de plânctons para se alimentar. A observação precisa ser feita de manhã, justificam os guias, porque, à medida que as horas avançam, o sol esquenta os plânctons, que descem para profundidades maiores. Os tubarões vão atrás.
O trajeto entre Punta Cancún, na zona hoteleira da cidade, e o ponto onde se concentram os animais dura duas horas. Longa, a viagem é feita em uma embarcação de pequeno porte, ocupada por apenas dez turistas por vez, e em um mar revolto. Para os mais sensíveis, o Dramin é tão essencial quanto máscara, snorkel, pé de pato e colete salva-vidas. Já os que aguentam firme as horas de balanço podem tomar um leve café da manhã, servido a bordo durante a viagem.
Gabriel, o condutor da embarcação, monitora as coordenadas no GPS e recebe informações de outros barcos que circulam pela região para encontrar o melhor local de parada. Chegar ao ponto escolhido provoca no grupo de passageiros um misto de entusiasmo e receio. Logo o barco é cercado por animais, que nadam bem na superfície em busca de alimento. Os guias precisam repetir que os tubarões-baleia, considerados a maior espécie de peixe do planeta, são seres inofensivos, para tranquilizar os turistas mais receosos. Já dentro d?água, o grupo ouve as duas recomendações fundamentais: nunca tocar nos animais e manter o corpo em posição paralela ao deles. Com tais cuidados, é possível ficar a poucos centímetros dos gigantes.
Os turistas ficam por ali, entre os tubarões-baleia, por um período que varia de 60 a 90 minutos. Como os percursos de ida e volta são longos, cada barco faz uma única saída diária. Segundo os guias, a quantidade de embarcações e pessoas na região de passagem dos tubarões-baleia é controlada - e as empresas que operam passeios seguem um rígido protocolo de preservação ambiental e de proteção da espécie. Na volta, o efeito relaxante do mergulho se faz sentir: muitos dispensam o Dramin para curtir o azul único do mar do Caribe. Com a Solo Buceo (solobuceo.com), o tour custa US$ 195.
Turistas podem experimentar ritual maia
De forma criativa e um tanto curiosa, alguns hotéis e atrações de Cancún e arredores encontraram uma forma de apresentar aos turistas um pouco da cultura maia. O temazcal é uma cerimônia de purificação tradicionalmente praticado pelo povo nativo da Península de Yucatán - e também pelos astecas, dizem.
Não de pode afirmar com certeza mas, pelas expressões de espanto, desespero e, por vezes, alegria que se alternam nos rostos de quem topa a brincadeira, poucos turistas sabem realmente o que os espera quando agendam a participação no temazcal. Feito em grupo e conduzido por um xamã, o processo começa com uma sessão de argila pelo corpo, ao ar livre, ao som de palavras de reflexão e canções. Os participantes são incentivados a recordar - e narrar - momentos felizes e marcantes da vida.
Em seguida, o grupo entra em uma sauna em formato de iglu. Pedras incandescentes elevam a temperatura do ambiente a níveis, para alguns, insuportáveis. Há quem ache impossível se concentrar naquele calor, enquanto outros entram no clima e chegam a ficar emocionados. Entre repetições de palavras de ordem, cada turista recebe uma espécie de bênção, com um maço de ervas esfregado pelo corpo.
A porta do iglu é aberta de tempos em tempos, como parte do ritual. Nestes momentos, mais pedras quentes são colocadas lá dentro, mas alguns acabam pedindo para sair. No fim, antes de serem autorizados a sair rumo a uma merecida chuveirada fria, os participantes são convidados a dar uma gargalhada. Impossível distinguir os sorrisos autênticos dos irônicos.
O Hotel Westin (starwoodhotels.com), em Cancún, o The Royal (realresorts.com), em Playa del Carmen, e o parque XCaret fazem sessões de temazcal. É necessário fazer reserva.
Saiba Mais
Aéreo: o trecho São
Paulo-Cancún-São Paulo custa a partir de R$ 2.216,83 na Copa (copaair.com), R$ 2.410 na American Airlines (aa.com.br), R$ 2.535 na Aeroméxico (aeromexico.com) e US$ 1.624 (R$ 3.012,52) na Lan (lan.com).
Visto: desde o ano
passado, brasileiros não precisam mais solicitar visto, basta obter uma autorização eletrônica (SAE) no site inm.gob.mx. Fácil de preencher e emitida na hora, é válida por 30 dias e deve ser apresentada ao entrar no México. Em voos que fazem conexão nos EUA, o documento não é necessário, já que o visto americano é suficiente.
Moeda: a oficial é o
peso mexicano: R$ 1 equivale a 7,50 pesos mexicanos.
Melhor época:
apesar de ter sol o ano todo, dezembro a junho é o período ideal, quando não há risco de furações.
O QUE LEVAR
De manhã
Roupas e saídas de banho para circular pelas praias e piscinas, para usar todos os dias. Protetor solar, óculos de sol e chinelo. Pés de pato, máscara e snorkel (se quiser, alugue por lá).
De tarde
Trajes frescos e arrumadinhos para ir aos shoppings - vale vestido, saia com blusa, bermuda e camisa, sandália e tênis.
De noite
O céu é o limite. Nas baladas, há os superproduzidos e os básicos. Nos restaurantes, elegância sem exageros.
O QUE TRAZER
Para recordar
Fotos. A Riviera Maya é fotogênica. Tulum rende registros memoráveis. Cancún e Playa del Carmen saem bem em qualquer clique.
nPara usar e decorar
Toalhas, porta-retratos, luminárias, vasos e utensílios domésticos de bom gosto são vendidos nas lojas de artesanato de Playa. Joias e objetos de prata têm bons preços no Mercado 28, em Cancún.
Para beber
Tequila, claro. As garrafas saem bem mais em conta lá que no Brasil.