Buenos Aires, 23 de março de 2012
Carimbando o passaporte
A primeira viagem internacional do Bauru Basket para a disputa de um torneio profissional começou cedo. Ao contrário do Paulistano, que saiu em voo direto para Buenos Aires, a equipe bauruense, em clara dificuldade financeira, teve que percorrer uma verdadeira maratona de mais de 14 horas de viagem. De Bauru até São Paulo a delegação se deslocou em ônibus do Expresso de Prata, um dos parceiros da equipe. De lá, depois de quase duas horas esperando no Aeroporto de Cumbica, saiu o voo com destino a Buenos Aires e escala em Montevidéu, no Uruguai.
Quem olha Guerrinha, sempre ao telefone celular, tem a impressão de que o treinador é na verdade um dirigente - o que não deixa de ser. Pelo menos, faz as vezes de um. Auxiliado pelo braço direito Hudson Previdello e pelo diretor de esportes, Vitor Jacob, Jorge Guerra divide as preocupações da viagem com outros planos que já são traçados.
“Deu certo o ‘negócio’ do visto?”, questiona no celular. Guerrinha se referia à viagem para Cancún, que a equipe fará na sequência à ida para a Argentina, pela Liga das Américas. Entre uma bronca e um alívio, o comandante toma as rédeas da delegação, mas não esconde a preocupação com o futuro: “A gente precisa conquistar mais patrocinadores logo para segurar o time. Bauru não pode perder o basquete”.
Cadê o RG, Gaúcho?
Como viajar e ao mesmo tempo tirar visto para outra viagem em seguida? A estratégia foi armada: como para a Argentina não é necessário passaporte, os atletas viajariam com o documento de identidade, o velho RG, e deixariam o passaporte para que o visto fosse retirado em São Paulo.
Todos, menos Gaúcho. O jogador levou apenas o passaporte para o embarque, quando na verdade, a delegação havia requisitado que os jogadores trouxessem RG para viagem à Argentina, e passaporte para que o visto fosse feito.
Gaúcho tentou embarcar com a CNH – que só vale em território Nacional – resultado: um motoboy teve que buscar o passaporte do atleta e trazer às pressas. Por pouco Gaúcho não fica fora da disputa em Buenos Aires.
Enquanto todos já aguardavam a chamada para o voo, Gaúcho ainda seguia esperando o tal motoboy no local combinado no Aeroporto de Cumbica. Quando o autofalante já anunciava o voo dos brasileiros, Vitor Jacob anunciava a chegada de Gaúcho e seu passaporte. Tudo “ok”. “Para trazer a Habilitação, acho que ele queria dirigir o avião”, ironizou o auxiliar Hudson Previdello.
Um maluco no pedaço
Quem já assistiu o seriado “Um maluco no pedaço”, com Will Smith, pode imaginar um pouco o estilo do “novo-velho” norte-americano do Itabom. Sem uniforme de viagem e com um fone de ouvido que só não chamava mais atenção do que sua falta de talento para interpretar as músicas que ouvia no aeroporto, Nathan Thomas se integrou à delegação do Itabom em São Paulo. “Esse cara é maluco”, é a frase mais ouvida quando Nathan faz uma de suas várias interpretações, piadas e dancinhas para descontrair.
Já no Aeroporto de Buenos Aires, Mosso comentou o óbvio: “Estou morto” - de cansaço. Nathan rebateu: “Eu viajo desde ontem (quarta-feira), quando vim dos Estados Unidos. Mas se precisar, jogo agora”. O jeitão “maluco” do norte-americano “recontratado” para o Interligas tira gargalhadas e dá ânimo aos companheiros.
No hotel na capital argentina, ele divide quarto com Larry Taylor, seu conterrâneo. As outras disposições nos quartos são as seguintes: Caio Casagrande (assessor de imprensa)/Gui Deodato; Hudson Previdello (auxiliar técnico)/Rogério Lourenço (fisioterapeuta); Fischer; André/Alex Passilongo; Mosso; Luquinha/Gaúcho; Thiaguinho/Douglas Nunes.
Onde estão as bananas?
Itabom e Paulistano tiveram contratempos desde cedo no hotel em que estão hospedados, na região central de Buenos Aires. A culpa, porém, não foi da gerência. Acontece que a organização do evento não fez um cardápio específico para os times brasileiros e, já no café da manhã, a primeira refeição antes do treino, os jogadores reclamaram. Guerirnha pediu manteiga, que chegou 40 minutos depois. Douglas Nunes queria mais sal no frango assado. “É muito sem graça”. Para piorar, nem frutas haviam à disposição. “É uma questão cultural, eles não gostam disso eu acho, mas cabe à organização ver isso. As frutas, como a banana, são importantes fontes de energia”, comentou Guerrinha.