Mais importante até mesmo que o Natal, a Páscoa simboliza para os cristãos a vitória da vida sobre a morte através da ressurreição. Foi com a ressurreição que Jesus Cristo tornou-se um personagem único, já que em nenhuma outra religião o líder máximo ressuscitou.
Segundo o padre Luiz Antônio Lopes Ricci, a festa pascoal é também um momento de renovação em que os cristãos se alegram pela vida e recarregam as baterias para o resto do ano.
“Acreditamos que nosso Deus está vivo e venceu a morte. Se Jesus passou da morte para a vida, está vivo e conosco todos os dias. Temos a cruz como um sinal de vitória. Inclusive tem uma frase que eu gosto muito que diz que, sem a cruz, o poder de Jesus não seria amor e, sem a ressurreição, o amor não seria poder.”
Renascimento
Para padre Ricci, um dos pontos mais importantes da Páscoa está no amor que fica mais evidenciado e é capaz de mudar as pessoas. E é exatamente neste ponto que a ressurreição pode ser levada para o cotidiano, quando as pessoas se dão conta de que podem ser melhores em suas relações.
Seja pessoal ou coletivamente, para os cristãos, esse é o momento de renovar o desejo de ser melhor em casa, com os amigos, no trabalho... Enfim, melhor como pessoa.
O comprometimento ético e social se renova com os ensinamentos cristãos. O que eu posso fazer para melhorar o meu trabalho? Como ajudar os que precisam em minha comunidade? É um momento de reflexão, de pensar em como mudar a vida para melhor. Sem essa passagem, a páscoa é apenas mais uma data.
De acordo com a análise do padre, a ressurreição também mexe com a maior questão existencial humana: a morte.
Acreditando que a vida não termina no túmulo, a gente acredita mais na vida e se compromete mais. Faz mais por si e pelo próximo. Caso contrário, sem a ressurreição, por que eu estaria nesse mundo? Estou aqui para morrer?”, faz indagar.
Assim, observa o padre, além de sugerir o comprometimento ético, a Páscoa também toca na questão mais dramática da humanidade.
“Há uma frase que eu gosto muito que diz que o homem não nasce para morrer, ele morre para ressuscitar. E se eu acredito nisso, minha vida ganha sentido”, enfatiza padre Ricci.
‘É possível trazer a ressurreição para a prática do cotidiano’, afirma teólogo José Maranhão
Segundo o teólogo José Rubens Maranhão Júnior, para contextualizar a Páscoa há um único caminho: tentar modernizar as ocorrências da crucificação de Jesus e sua ressurreição.
Podemos dizer que Jesus teve um plano traçado por Deus e aceitou totalmente participar deste plano em corpo de homem, mesmo sendo também divino. Por isso, quando estava na cruz, Ele disse frases como: tenho sede, ou Deus, meu Deus, por que me desamparastes?...”, analisa.
Segundo o teólogo, os cristãos contextualizam a crucificação no momento em que sabem calar quando necessário, já que Jesus sofreu calado, e colocam suas vidas nas mãos de Deus, ou seja, mantêm viva a fé, como Ele fez ao ser crucificado.
Saber aceitar a ajuda de outras pessoas também é uma forma de trazer o significado da ressurreição para os dias de hoje. Segundo a Bíblia, quando carregava a cruz, esgotado e exausto, Jesus cedeu o carregar a um africano de nome Simão de Cirineu”, aponta.
Para José Rubens, outro detalhe importante para os cristãos é saber que sempre haverá traidores e pessoas ruins ao nosso lado, mas que isso não deve ser empecilho para seguir em frente fazendo o bem. Fazer o bem ainda é a melhor forma de viver, finaliza.
Parar para fazer reflexões e celebrar é despir as sujeiras e vestir esperanças, analisa filósofo
Assim como acontece na Páscoa dos católicos, toda religião tem um momento de parar para refletir, outro exemplo é o Ramadã para os muçulmanos. Segundo o filósofo e professor Fausi dos Santos, as celebrações religiosas têm papel social fundamental porque favorecem o autoconhecimento e, dessa forma, são capazes de extirpar males modernos como a depressão e o estresse.
Nessa parada, o indivíduo sai da sua rotina e passa a se conhecer melhor e ver o que precisa ser mudado. Isso é bom até para que a rotina de vida individual não se torne maçante e a vida saia desse preto e branco que a sociedade moderna e individualista acaba causando, enfatiza Fausi.
Ao contrário do universo religioso, o individualismo moderno não permite momentos de reflexão por causa da brusca frenética pelo lucro, de acordo com o professor, o que pode favorecer os casos de depressão, falta de sentido na vida, aumento no uso de drogas lícitas e ilícitas... Hoje, falta esse tipo de análise mais íntima que as celebrações religiosas proporcionam, seja qual for a doutrina ou a crença”.
Fala-povo: ‘O que a ressurreição significa para você?’
É um momento de pensar em Cristo e de estar com a família e amigos - Welliton Luís Cardia Martins, gráfico
É tempo de refletir sobre o que é realmente importante para a vida - Luciana Cordeiro Garcia Martins, auxiliar administrativo
É uma nova oportunidade para a humanidade - Maria José Cortinolli, consultora de beleza
Para a fé, é uma época de comemoração, mas o comércio transformou a data em vendas - Leonardo Penitente, correspondente bancário