A produção do show do grupo Rebeldes informou ontem que na sexta-feira desta semana será assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto à Promotoria de Defesa do Consumidor. Na tarde de ontem, representantes das empresas Rastro do Cowboy e Marcos Mioto Promoções Artísticas se reuniram com o promotor Libório Nascimento, da Defesa do Consumidor, para uma conversa preliminar.
Quem pagou para assistir ao show e não teve acesso ao local, alega que o problema foi a superlotação no show. Com esse argumento, pelo menos uma centena de pessoas estiveram ontem no 3º Distrito Policial de Bauru para registrar Boletim de Ocorrência (BO).
Ailton Ricardo da Cruz disse que as pessoas estão se organizando para viabilizar uma medida judicial. O grupo definiu ontem que o escritório de advocacia de Marcel Augusto Farha Cabete irá ser contratado para impetrar medidas reparatórias possíveis. Cruz explica que quem quiser participar da ação coletiva pode contatar o escritório jurídico pelo telefone (14) 3226-2377 ou se dirigir à rua Monsenhor Claro, 8-57.
O incidente não apenas revoltou os pais como provocou ferimentos em quem insistiu em adentrar o ginásio onde foi realizada a apresentação, no último sábado. Fabiana Cristina da Silva Mattos fez exame de corpo de delito para comprovar as lesões no braço direito na cocha direita e na perna esquerda. Ela conta que foi arrastada pela multidão contra as grades de ferro que separam o setor de arquibancadas da quadra do ginásio da Associação Luso Brasileira de Bauru (ALBB), alugado pelos organizadores do evento musical.
Fabiana estava revoltada com o apuro que passou. Ela comenta que ninguém a socorreu e foi levada ao Pronto Socorro Central (PSC) por seu esposo Joel Maia de Mattos. A mulher relata que aguardava junto com a multidão para adentrar à pista junto com a filha Laura da Silva de Mattos, 9 anos. Com o início da passagem de som do grupo, por volta das 19h3
, as pessoas do lado de fora ficaram impacientes, começou um empurra-empurra e a porta de madeira não suportou a pressão e foi arrombada.
A mulher conta que uma onda de pessoas descontroladas a carregou para dentro do ginásio direto contra as grades de ferro. Ontem, ela também fez um raio-X do braço direito. Nilcélia Garcia dos Santos relata que a filha Mellanie Navarro, 13 anos, desmaiou no tumulto. Mãe e filha entraram na fila às 14h.
Para Vanessa Magalhães, que foi ao show com a filha Isabela, de 9 anos, a aglomeração de pessoas era incompatível com a capacidade do ginásio. “Parecia final de futebol”, compara.
Carmen Silvia Benjamim Mosele investiu R$ 18
,
para que as filhas Isadora, 11 anos, e Isabela, 5 anos, assistissem ao Rebeldes. Mãe e filhas vieram de Lençóis a Bauru para um sábado inesquecível.
Os ingressos - inteira R$ 12
,
e meia R$ 6
,
- davam direito ao setor VIP e foram comprados antecipadamente para evitar atropelos. Elas chegaram às 15h, não conseguiram entrar e ouviram o show do lado de fora. “Eles com o maior descaso e não abriram”, reclama. Mosele cita que foi constrangedor conter as meninas que queriam adentrar ao ginásio de qualquer maneira. Wilson Assad apresentou ingresso no valor de meia-entrada a R$ 7
,
para área VIP e com a inscrição de abertura do setor às 18h. No entanto, suas duas filhas não conseguiram entrar.
Na delegacia
O delegado titular do 3º DP Milton Bassoto Jr. mobilizou toda sua equipe na tarde de ontem para atender aos pais que foram em peso registrar BOs. O delegado avaliará qual a melhor forma de dar prosseguimento ao caso, que pode ser transformado em um inquérito policial ou seguir para o Núcleo Especial Criminal (Necrim), via de resolução conciliatória para ocorrências de menor potencial ofensivo. O delegado também avaliará individualmente situações em que há queixa de lesão corporal ou casos excepcionais e outros constrangimentos passíveis de enquadramento legal.
Inicialmente, no sábado foram registrados BOs como estelionato no Plantão Policial. Ontem, as pessoas foram reunidas em grupos que formalizaram novas queixas no 3º DP. Bassoto alerta que as pessoas interessadas em prestar queixa relativa a problemas no show do Rebeldes podem procurar qualquer DP que o caso será remetido ao 3º DP.
Reparação
Os representantes da empresa Rastro do Cowboy encaminharam uma nota à redação do JC em que prestam alguns esclarecimentos.
“Comunicamos as pessoas que estiveram presentes no evento (...) que o local tem capacidade para aproximadamente 5 mil pessoas, sendo que foram vendidos cerca de 3.4
convites. (...) Ocorre que o produtor em determinado horário insistiu que ‘o som deveria ser ajustado para que não houvesse prejuízo em sua qualidade’. Por conta disso, o público que estava do lado de fora imaginou que o show estaria acontecendo, gerando tumulto na portaria. Por motivos de segurança, a entrada foi liberada sem a devida entrega dos convites, diante da impossibilidade do momento, contudo, cerca de 9
% das pessoas já haviam adentrado ao recinto (...) Referido show teve início às 21h ocorrendo na mais perfeita ordem. O Rastro do Cowboy espontaneamente procurou a Promotoria para esclarecimento e orientação acerca de possível reparação às pessoas que eventualmente sofreram prejuízos”.