Política

Recape na zona Sul é alvo de críticas

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Quem trafega pela zona Sul de Bauru pode notar a camada nova de asfalto em vias como a Getúlio Vargas e a Araújo Leite, fruto do recapeamento contratado pela Prefeitura de Bauru. Essa e outras questões foram o centro de discussões na sessão legislativa de ontem, quando vereadores alegaram que o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) tem priorizado ações na região mais rica da cidade em detrimento de bairros periféricos.

 

Marcelo Borges (PSDB) foi o primeiro a dirigir críticas nesse sentido ao governo municipal, dando nítido tom eleitoral ao debate. O vereador afirmou que, da avenida  Duque de Caxias para cima, sentido à região Sul, muitas ruas estavam sendo recapeadas enquanto outros locais pareciam estar em segundo plano na atuação da administração municipal. “A periferia está suja, sem asfalto, virando depósito de lixo”, pontuou.

 

A intenção do tucano foi discutir que o governo Rodrigo poderia ter feito muito além do que já entregou até agora, principalmente no que se refere a asfalto, sobretudo em razão do gordo saldo bancário da conta da prefeitura.  Borges pontuou que os resultados financeiros do município nunca foram tão positivos no aspecto da arrecadação, mas voltou a dizer que a prefeitura não aplica os recursos em investimentos. “A receita aumento 25% de um ano para o outro, mas está tudo comprometido com o inchaço da máquina pública”, ressaltou.

 

De outro lado, o tucano também questionou os critérios utilizados para escolher as ruas que recebem o recapeamento. “Honestamente, não tinha necessidade de recapear a maioria lá na zona Sul”, pontuou. No plenário, mas sem deixar seu assento, um governista comentou que o recape conquistado por Borges junto ao governo do Estado, para asfaltar a Vicente Aiello, atende somente a abastados. A ideia de que o governo prioriza a zona Sul com o recape em ruas que, aparentemente, não precisariam receber a melhoria já foi abordada pelo Jornal da Cidade em reportagem publicada no dia 2 de junho de 2

11, a partir do exemplo prático na Fuas de Mattos Sabino. No entanto, o secretário municipal de Obras, Eliseu Areco, respondeu, à época, que o asfalto nessa via, que é paralela à Getúlio, tinha mais de 2

anos de idade e precisava de manutenção. 

 

Segundo a pasta de Obras, são 7 mil quadras na cidade que precisam de recape. A meta da atual administração é terminar o governo com pouco mais de 2 mil delas recapeadas.

 

Reforçando o cenário de debate político, a vereadora Chiara Ranieri (DEM) já havia exibido vídeo mostrando a situação de abandono causada pela falta de asfalto e pela sujeira em bairros como o Jardim Solange, Jardim Ferraz, Ouro Verde, Ipiranga e Parque Viaduto. “São lugares que têm sido alvos de requerimentos nossos desde o ano de 2

9. No entanto, não há ações nem previsões para a solução dessas demandas”, pontua a pré-candidata, que está bastante interessada no número de quadras de asfalto e recape que serão atendidas pela prefeitura até o final do governo.

 

 

 

Os caminhos...

 

 

O debate lançado por Marcelo Borges na sessão de ontem deu margem para Roque Ferreira (PT) voltar a bater em uma tecla que tem sido repetida por ele nas últimas semanas, marcada pelo bordão de que ‘todos os caminhos levam para a zona Sul’.

 

O petista, do partido que pertence à base de Rodrigo, endossou as críticas feitas pelo tucano e lembrou que, dentre os 22 pontos contemplados nos projetos das polêmicas obras de galerias pluviais contratadas junto à Demop, o primeiro a receber e ter concluído o serviço foi o da rua das Festas. “Não tenho absolutamente nada contra a zona Sul, mas é uma questão de avaliar e inverter as prioridades”, criticou.

 

O petista também questionou o fato de os terrenos utilizados como bolsões de entulho de construção no município estarem sempre em áreas de maior vulnerabilidade social. “Quero entender porque existe essa lógica. Por que não uma área do aeroclube voltada para isso?”, provocou Roque.

 

Segundo o vereador, os depósitos de entulho causam muitos transtornos à população vizinha a esses locais. “Não há fiscalização do que é depositado. O lixo é jogado junto e libera, até mesmo, chorume e outras substâncias”, afirmou.

 

Nenhum parlamentar da base governista usou a tribuna para defender a administração. Apenas José Carlos de Souza Batata brincou com Borges, dizendo que o tucano estava andando muito pela zona Sul e esquecendo a periferia. “A prefeitura está fazendo na cidade toda”, retrucou.

 

 

 

Bancada do PT reestreia dividida

 

Na sessão legislativa de ontem, Roque Ferreira teceu duras críticas ao governo Rodrigo Agostinho, do qual seu partido participa, inclusive com o posto de vice ocupado por Estela Almagro (PT). Além da priorização de serviços à zona sul, o vereador voltou a criticar o aumento da tarifa do transporte coletivo e chamou a população a participar de um ato, às 1

horas de hoje, no Calçadão da Batista, pedindo a revogação do decreto do prefeito.

 

O tom crítico de Roque destoou completamente do adotado por José Carlos de Souza Batata (PT), que retornou exatamente ontem às sessões legislativas após se desincompatibilizar da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel). O petista elencou suas ações em frente à pasta e disse que voltou revigorado às funções legislativas. “Bauru vai entrar na rota dos grandes equipamentos esportivos”, exagerou.

 

Batata também defendeu outros setores do governo, como a Saúde, além do coordenado pela vice-prefeita e esposa Estela. “Este governo investiu em pessoas, quando tirou famílias da beira do esgoto e colocou em um apartamento”, disse referindo-se ao programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, financiado pelo governo federal.

 

No entanto, as exaltações do petista à administração não passaram despercebidas. Marcelo Borges (PSDB) alfinetou o colega, dizendo que muitas outras famílias poderiam ser atendidas se não fosse o problema de abastecimento de água, já pontuado pela própria vice-prefeita.

 

Já José Roberto Segalla (DEM), logo em seguida à fala de Batata, enfatizou que, por mais que às vezes pareça o contrário, o local onde os parlamentares se posicionam para utilizar a palavra era uma tribuna e não um palanque.

 

Comentários

Comentários