Jaú – A pedido da Polícia Civil de Jaú, a Justiça decretou a prisão temporária por trinta dias dos irmãos José Vitor de Souza Silva, 2
anos, e Willian de Souza Silva, 21 anos. Eles são acusados, junto com a mãe – que está presa desde fevereiro –, de assassinar em janeiro deste ano o ex-padrasto, o servente Paulo de Sousa, de 45 anos. Uma das hipóteses investigadas é a de divergência motivada por partilha de bens.
Os dois jovens foram presos anteontem e, em depoimento na Delegacia de Investigações Gerais (DIG), confessaram o envolvimento no crime. Segundo o delegado Edmilson Bataier, que está respondendo pela unidade, José Vitor confessou ser o autor dos golpes de martelo que resultaram na morte do servente.
O jovem contou que, do lado de fora da residência do ex-padrasto, ouviu uma discussão entre ele, sua mãe, a calçadista Maria dos Remédios Souza da Conceição Santos, 44 anos, e seu irmão mais velho. Ainda de acordo com a versão de José Vitor, ele teria pulado o muro lateral do imóvel e golpeado a vítima na nuca com um martelo.
O delegado defende que, após os golpes, os três limparam a cena do crime. Em seguida, eles teriam montado um ‘cenário’ para ocultar a participação deles e saído do local. Bataier chama a atenção para a dissimulação dos acusados e para o fato do homicídio ter ocorrido por motivo fútil, que impossibilitou a defesa da vítima.
Segundo ele, a mulher simulou ter encontrado o corpo do ex-marido ao visitá-lo pela manhã. Os dois filhos dela também chegaram ao local momentos após a localização do corpo. Todos eles teriam demonstrado estarrecimento com a morte do servente. Apesar da confissão dos dois filhos, a calçadista nega envolvimento no crime.
O delegado aponta como uma das hipóteses para o homicídio suposta divergência entre Sousa e a ex-mulher envolvendo disputa de bens, entre eles uma motocicleta. Ele também acredita em premeditação pelo fato dos três estarem na casa do ex-familiar, juntos, logo pela manhã. “Isso denota um certo planejamento do crime”, diz.
Os dois irmãos foram conduzidos à cadeia de Barra Bonita. Nos próximos dias, a Polícia Civil irá representar pela prisão preventiva deles.
Após denúncia, na tarde do dia 6 de janeiro, o corpo do servente Paulo de Sousa foi encontrado pela Polícia Militar (PM) caído ao lado de um tanquinho de lavar roupas na residência onde ele morava, na rua José Moreno Gimenez, no jardim Cila de Lúcio Bauab.
Ele estava de barriga para baixo, com os braços cruzados sobre o peito, e trajava apenas shorts. Além de grave ferimento na cabeça, que provocou afundamento de crânio, e de um corte no supercílio esquerdo, marcas encontradas no corpo da vítima mostraram que ela foi arrastada pelos pulsos.
Dentro de uma bacia, em um cômodo em construção, a polícia apreendeu um martelo sujo de sangue. No interior de um cesto de lixo, os policiais encontraram três panos de chão ainda úmidos que foram utilizados para limpar parte da cena do crime. Na ocasião, a ex-mulher do servente foi levada à DIG, ouvida e liberada. Após investigações, a polícia descobriu que ela havia participado do crime. No dia 14 de fevereiro, ela foi presa pelo delegado titular da DIG, Gustavo Alonso Garmes.