Um dos aplicativos mais usados para controle financeiro pessoal é o Microsoft Money. A ferramenta é paga, mas pode ser encontrada numa versão para testes de 6
dias de forma gratuita.
Apesar da funcionalidade do software, o mesmo não é de fácil assimilação para quem não tem muita intimidade com tabelas, gráficos e porcentagens.
Para quem já tem certo domínio na área econômica, a ferramenta é mais do que indicada, já que possui mapeamento com gráficos sobre todas as transações, desde cheques, contas bancárias, cartões de créditos e carteiras de investimentos, todos divididos em categorias detalhadas.
O economista Reinaldo Caffeo é um dos proprietários do software em Bauru. Segundo ele, a ferramenta permite um controle rigoroso das finanças pessoais. Porém, ele desaconselha a aquisição por parte de quem ainda não tem conhecimentos com certa profundidade tanto em economia quanto tecnologia.
Independentemente da plataforma escolhida, pondera Caffeo, o maior desafio é a pessoa se disciplinar. “Nossa rotina desvia um pouco o foco”, observa. “Andar com o papelzinho com as contas anotadas do dia já ajuda. Depois, com a planilha, há o gerenciamento sobre reduções de gastos. Quem não controla não sabe aonde gasta”, conceitua.
Caffeo recomenda o Excel, que, apesar da aparente simplicidade, também oferece boas ferramentas para cálculos de ganhos e despesas, como um pontapé inicial antes dos programas mais sofisticados. “É o primeiro passo, para se familiarizar. Depois investe-se em algo mais complexo”, recomenda.
Quem também recomenda uma evolução gradual no uso dessas ferramentas é o administrador de empresa José Ricardo Scarelli Carrijo, que também conhece os mecanismos do “Money”. “Usei durante um período, mas tinha mais recursos do que eu necessitava”, avalia, recomendando o Excel que, mesmo mais simples, segundo ele, é muito eficiente para um rigoroso controle financeiro.
Nós testamos
Durante a semana, nossa reportagem entrou em alguns dos mais populares sites de donwloads gratuitos e testou alguns dos aplicativos gratuitos apresentados (leia o quadro ao lado).
Um dos aplicativos para controle de dados financeiros que mais chamaram a atenção foi o “Vida – Controle Financeiro Pessoal”. Com fácil visualização da barra de ferramentas, o programa coordena desde os ganhos e gastos até carteira de investimentos sem demandar grande tempo para aprendizado.
A barra de ferramentas lateral propicia rápido e descomplicado acesso às principais funções, entre elas registros de lançamentos pendentes, prazos, previsões orçamentárias ou até mesmo carteira de ações. O carregamento é rápido. Um ponto negativo é que o produto tem uso gratuito liberado apenas para período de testes.
Outra boa opção entre os aplicativos testados na redação é o “Finance Desktop Portable”. Trata-se de uma versão simplificada do “Finance Desktop”. Muito leve, o aplicativo pode ser salvo num pendrive, sem necessidade de instalação na máquina. Além da portabilidade, com uso em qualquer terminal, o programa dispõe de um tutorial mais completo, explicando passo a passo sobre como utilizá-lo.
Antes de usá-lo pela primeira vez, no entanto, é necessário cadastrar o email no site desenvolvedor e criar uma senha, requerida sempre que o aplicativo é aberto. O programa dispõe de um menu superior simplificado - no atual sistema de abas -, com apresentação de opções de investimentos projetados, calculadora, calendário ou e até mesmo cadastro de impostos ou serviços. É gratuito.
Reeducação salva contas e sonhos
Saber o quanto se gasta e, principalmente, aonde fechar a torneira, pode fazer com que, independentemente à faixa de renda, as contas fechem no azul.
Saldo positivo acumulado, além de tranquilidade, também significa realização de sonhos de consumo sem a escravidão dos parcelamentos ou cartões.
“A reclamação é sempre o salário. Há pessoas que ganham na casa dos R$ 2
mil que estão com problemas. Não adianta receber isso e gastar R$ 3
mil. Assim a pessoa vai se enrolar”, ilustra o consultor Mauro Fernando Gallo. “Quando toma ciência sobre como e em que gasta, a pessoa pode até ficar chocada”, acrescenta.
Segundo ele, após o choque inicial em saber o que aqueles R$ 5,
gastos na coxinha do bar da esquina representam no final do mês, começa o período em que o consumidor traça metas e decide qual setor considera supérfluo.
“Dois mais dois têm que ser quatro, fora disso o resultado é inadimplência”, simplifica José Ricardo Scarelli Carrijo, economista e professor na área de administração da Instituição Toledo de Ensino e Universidade Sagrado Coração (USC).
Para o especialista, um dos grandes vilões ocultos do orçamento pessoal é alimentado pelo setor de serviços. “Acompanhamos uma grande elevação nos preços nesse segmento”, especifica Carrijo.
“Temos uma inflação na casa dos 4% ao ano. Como se explica então um cabeleireiro subir a tarifa de R$ 2
,
para R$ 25,
no período?”, indaga. “É uma alta de 25%. Refeição fora também está nessa base”, calcula Carrijo. “Há uma elevação desordenada, em grande parte por despreparo dos prestadores de serviço, acham que é normal”, critica.
Os efeitos dessa alegada dificuldade em mensurar o percentual de elevação nos preços por parte dos prestadores de serviço podem ser minimizados com atenção sobre o que e aonde consumir.
É o que o jornalista Thárcio de Lucas, de 29 anos, decidiu para fazer. Desta forma, além de colocar as contas em dia, ele ainda conseguiu juntar dinheiro que ajudou, e muito, na aquisição da casa própria.
Thárcio considera o mês de fevereiro de 2
7 um divisor de águas em sua vida financeira. Foi nessa época em que ele descobriu que a organização, independentemente a aumento ou não da faixa de renda, reflete em melhores notícias ao checar o saldo bancário.
“Eu não controlava muito. Era mais uma checagem intuitiva do que algo organizado”, recorda. Segundo ele, o monitoramento empírico do fluxo de caixa não o ajudava a economizar, tampouco sonhar em adquirir um bem de maior valor, no caso, um imóvel. “Enxergar o que entrava e saía de dinheiro me possibilitou ter objetivos”, credita ele, que instituiu “verbas” definidas para setores como alimentação ou lazer.
O jornalista decidiu estabelecer limites para cada setor de gastos, desde as compras para a casa até uma cota para o lazer. Ele admite: não é fácil. “Há tentações. Mas vale resistir e trocar um prazer imediato por algo duradouro no futuro”, considera.
Anotar todos os gastos, desde o almoço até um sorvete de R$ 2,
, no entanto, não significa fechar a mão para tudo e todos. “É possível programar algumas despesas também para datas, como os aniversários de familiares ou amigos”, exemplifica de Lucas.
Uma das principais recomendações do jornalista, que comprou a casa há aproximadamente dois anos, é ignorar as críticas de quem acha que dinheiro foi “feito para gastar”. “Sempre vai ter um amigo ou conhecido que vai dizer que você é refém do dinheiro, tem a ‘síndrome do Tio Patinhas’. É óbvio que também quero um carro zero, ou um videogame da moda. É duro você olhar as pessoas em volta comprando e você sem nada”, reconhece.
“Mas, com o tempo, você consegue coisas maiores, um imóvel ou viagens internacionais e, ainda por cima, com uma vida financeira saudável”, pondera Thárcio, adepto das planilhas e gráficos do Excel.
Brasileiro está mais endividado
O consumidor brasileiro se enrolou mais com dívidas em 2
11. Ano passado, de acordo com o Banco Central, a inadimplência subiu a 7,3%, a mais alta taxa em dois anos. O maior vilão, de acordo com a instituição, é o cartão de crédito, com juros de 238,3% ao ano. “Tem gente que nem sabe o quanto paga de anuidade pelo cartão. Vale a pena ir ao banco, sentar e renegociar. Muitas facilidades não são divulgadas, tem que ir atrás”, ensina o jornalista Thárcio de Lucas, que conseguiu comprar uma casa após se reorganizar financeiramente.
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