Brasília - Escolhido para relatar a CPI mista do Cachoeira no Congresso, o deputado Odair Cunha (PT-MG) afirmou ontem que “não se trata de uma investigação que necessariamente vá para cima do Planalto ou de qualquer membro do governo”.
Segundo ele, as apurações serão centralizadas nas relações do empresário de jogos ilegais Carlos Cachoeira com políticos. Cunha negou que o fato de ser vice-líder do governo na Câmara represente algum impedimento para exercer a relatoria.
“Todos nós aqui temos relações com o governo Dilma. É importante termos clareza que estamos investigando Carlinhos e suas relação. Não se trata de uma investigação que necessariamente vá para cima do Planalto ou de qualquer membro do governo. Queremos investigar o fato determinado que originou a CPI”, disse.
E completou: “se no curso das investigações (surgir algum governistas), a partir das investigações, do indício das provas, vamos produzir investigação doa a quem doer”, afirmou.
Um assessor do Planalto, Olavo Noleto, teve contato com um dos principais interlocutores do grupo de Cachoeira. Integrantes da construtora Delta, maior recebedora de recursos federais desde 2
7, também são citados nas investigações da Polícia Federal.
Cunha foi confirmado ontem pela bancada de PT para a relatoria. O relator é o principal cargo pois dita o ritmo das investigações.
Ele negou que tenha havido um veto do Planalto ao deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que ao lado Paulo Teixeira (SP), também estavam na disputa.
O senador Vital do Rego (PMDB-PB), presidente da comissão, e o relator vão pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ter acesso à íntegra das operações da Polícia Federal que investigaram Carlinhos Cachoeira.
Os dois prometem levar as investigações para além do que já foi apurado pela PF, mas descartaram por enquanto criar sub-relatorias para dividir os temas das investigações - como sugerido pela oposição.
Os parlamentares afirmaram que vão manter os documentos da PF em sigilo, já que os inquéritos tramitam em segredo de Justiça. “Eu vou ser guardião. A CPI vai guardar documentos que estão correndo em segredo. A comissão pode incorrer em responsabilidade civil e penal se não mantiver o sigilo”, disse Vital do Rego.