Cultura

Saúde pública vai parar nos palcos do teatro

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 2 min

A decepção com o sistema público de saúde de Bauru vai virar peça de teatro. É o que garante o diretor e fundador da Companhia Teatral Mandrágora, Huxley Ivens, que vai se basear em um caso real, vivido por uma das atrizes da companhia, Luciana Gonçalves, de 24 anos.

 

Atualmente, Luciana se encontra no município de Garça, se recuperando de uma cirurgia, após ter “nascido de novo”, como ela mesma diz. A moça, que atua na Companhia há quase dez anos e cursa artes cênicas na Universidade do Sagrado Coração (USC), vai aproveitar a ferramenta do teatro para denunciar o que passou após um diagnóstico inadequado, segundo ela.

 

Luciana, que sentia dores e vomitava constantemente, procurou pelo pronto-atendimento público em Bauru no mês passado. Mas só foi descobrir que estava com apendicite aguda quando buscou auxílio no hospital do município de Garça, no mesmo período. Segundo relata, as dores avisavam que havia algo estranho. “Eu também estava com muita diarreia, febre alta e vomitava sangue”, relatou.

 

Foi então que decidiu procurar o atendimento emergencial público em Bauru. Teria passado por uma médica que, segundo ela, não a teria examinado. “Ela não me tocou. Disse que eu tinha uma crise de gastrite e me receitou um medicamento para dor”, afirmou. Poucos dias depois, vendo que a situação continuava a mesma e as dores constantes, seguidas de vômitos e febres altas, a atriz partiu, com a ajuda de uma amiga, para Garça. Lá, de acordo com ela, passou por um médico no hospital público São Lucas.

 

“Lá, o médico se assustou com meu estado e, após me examinar, me encaminhou para uma cirurgia de emergência. Ficou indignado com o atendimento que eu havia recebido em Bauru. O apêndice estava tão inflamado que já estava prejudicando outros órgãos”, lembra a atriz. “Durante a cirurgia, o apêndice estourou na mão do médico. Se tivesse ficado dentro do meu corpo por mais algumas horas, eu poderia ter morrido”, relata Gonçalves.

 

 

 

Indignação

 

Depois do que passou, Luciana quer mostrar a todos o descaso com que foi tratada. O diretor da Companhia Teatral Mandrágora, Huxley Ivens, diz que já trabalha na criação de um roteiro para a futura peça. “Quero retratar a deficiência do setor público de saúde de Bauru. O nosso objetivo é usar teatro como ferramenta para mostrar o que está indo bem e o que não está indo bem no setor público, em tom de crítica”, enfatiza Huxley, que também diz ter a intenção de fazer uma ligação com a temática da Campanha da Fraternidade, que este ano vai refletir a saúde pública. 

 

“Espero que a peça ajude a sensibilizar os governantes para investirem mais na saúde. Espero que a mensagem também chegue nos médicos, que devem olhar para seus pacientes para garantir um diagnóstico seguro. Independentemente de classe social, saúde é um direito de todos”, finalizou Luciana.

 

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