Lençóis Paulista - No início da tarde de ontem, os destroços do helicóptero que caiu anteontem durante voo panorâmico em uma feira agropecuária de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) foram retirados do fundo do Lago da Prata e levados para o aeroporto da cidade. Toda a operação foi acompanhada por técnicos da Força Aérea Brasileira (FAB). Nos próximos dias, a Polícia Civil deverá ouvir o proprietário da aeronave, além das vítimas e testemunhas.
O trabalho de retirada dos destroços foi demorado e contou com apoio do Corpo de Bombeiros. Primeiro, mergulhadores fizeram análise prévia do que restou da aeronave. Ela, então, foi amarrada com cordas e içada com a ajuda de um trator. De acordo com a assessoria de imprensa da FAB, além de avaliação do local da queda, os técnicos também analisaram os destroços para identificar eventuais indícios de falhas mecânicas.
O órgão explicou que as investigações, que estão sob comando do Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa IV), incluem ainda verificação de documentos do helicóptero e piloto e do treinamento dele. As informações serão reunidas em um relatório, que ficará disponível para consulta na Internet com recomendações de segurança visando evitar novos acidentes. Não existe prazo para a conclusão dos trabalhos.
Explosão no lago
O helicóptero modelo Robinson R44, que realizava voos panorâmicos na Feira Agropecuária Comercial e Industrial de Lençóis Paulista (Facilpa) mediante o pagamento do valor de R$ 50,00 por pessoa, caiu por volta das 14h20 do feriado de 1º de maio, após chocar-se com uma rede de alta-tensão. O acidente resultou em explosão e princípio de incêndio, que foi abafado quando a aeronave afundou no lago. Por mais de duas horas, cerca de 62 mil moradores da cidade ficaram sem energia.
O piloto Paulo José Appa Okumura, 35 anos, que mora em São José dos Campos, e os três passageiros - Rodrigo Evangelista dos Santos, 26 anos, Erisvaldo Serafim Avelino, 24 anos, e Moacir Damasceno Lopes filho, 32 anos -, todos moradores de Lençóis Paulista, conseguiram sair do helicóptero e nadar até as margens do lago, onde foram resgatados por equipes do Corpo de Bombeiros e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Em nota, a assessoria de imprensa da Facilpa declarou que o motivo da queda da aeronave seria uma perda de potência do rotor durante o voo, fato que motivou uma tentativa de manobra de emergência, intitulada autorrotação, para pouso. De acordo com a assessoria, durante a operação, o helicóptero acabou perdendo altitude e se desgovernando até atingir o fio de alta-tensão e cair no lago. Além de voos panorâmicos, ele transportava o locutor Buffalo Bill nas noites de rodeio.
As vítimas foram levadas ao Pronto-Socorro (PS) local, no Hospital Nossa Senhora da Piedade. Com escoriações pelo corpo e luxação na clavícula, Rodrigo ficou em observação na unidade até o final da tarde de ontem, quando teve alta. Em razão da gravidade do seu quadro, Erisvaldo e Moacir foram transferidos no mesmo dia para o Hospital de Base (HB) de Bauru. Ontem de manhã, Paulo José também deu entrada no HB.
Segundo a assessoria de imprensa do hospital, os três passaram por cirurgia e, até fechamento desta edição, permaneciam internados em estado regular na Hope (espécie de ala intermediária da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Paulo José teve fratura no tornozelo, enquanto Moacir fraturou o fêmur esquerdo e teve uma contusão pulmonar. O HB informou que o quadro mais grave é de Erisvaldo, que teve fraturas no tornozelo e punho, além de trauma craniano e contusão pulmonar.
Investigações
O delegado de polícia de Lençóis Paulista responsável pelas investigações, Renzo Santi Barbin, disse que o proprietário do helicóptero deverá ser ouvido nos próximos dias. “Agora, a gente tem só que aguardar os laudos e as oitivas das vítimas quando elas estiverem aptas e fazê-las, porque ainda estão no hospital, e testemunhas”, declara.
Segundo ele, sem os laudos da Polícia Científica e da aeronáutica em mãos e os depoimentos das vítimas fica complicado falar sobre qual seria a causa do acidente. “É muito cedo para a gente falar. Infelizmente, a gente depende muito do laudo para poder afirmar alguma coisa. Pode ser uma falha operacional do piloto ou uma falha mecânica”, diz.
“É fundamental tanto o laudo, para dizer se aconteceu alguma coisa no motor da aeronave, e, principalmente, a oitiva das vítimas, que estavam dentro dela, para saber a reação do piloto e se ele, realmente, estava praticando rasantes e fazendo manobras arriscadas perto da aglomeração de pessoas”. A ocorrência foi registrada como atentado contra a segurança de transporte aéreo e lesão corporal.