Tribuna do Leitor

AINDA O DAE


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Autarquias municipais de Água e Esgoto se bem geridas podem plenamente ser viáveis, vide o próprio DAE há décadas passadas, bem como o SAE de Penápolis, que há tempos é modelo para as cidades não operadas por grandes concessionárias de saneamento.

Mas o que ultimamente vem acontecendo com o DAE nos preocupa. Será que é de caso pensado? Querem acabar com o DAE e levá-lo a um colapso total? A incompetência ou omissão das autoridades fatalmente conduzirá a uma situação insustentável.

Quando atividades corriqueiras do dia a dia, como manter estoque mínimo de matéria- prima básica, vira notícia de jornal, alguma coisa está errada. Na edição de 05/05/2012 desse jornal, saiu a notícia de que seria montada uma comissão para elaborar diagnóstico e levantar deficiências de gestão administrativas da autarquia. Faço aqui uma pergunta. Qual a função e a razão da existência do DAE? Levar água com qualidade e quantidade necessárias aos consumidores, coletar, afastar, tratar e lançar de maneira adequada os esgotos sanitários gerados, correto?

Para que isto ocorra de maneira no mínimo satisfatória, é imprescindível que se tenha uma equipe técnica competente atuando, sem o que o insumo básico do DAE que é a água não chegará aos consumidores de maneira satisfatória. O que me intriga é que nesta comissão não existe ninguém da parte técnica e o DAE, que é uma autarquia eminentemente técnica. Há tempos não se ouve falar em planos de investimentos a curto, médio e longo prazo. Estas ações devem ser efetivadas continuamente, caso contrário haverá um preço alto a ser pago no futuro. Como uma autarquia que não consegue combater em tempo hábil os vazamentos visíveis pode combater os vazamentos não visíveis? Realizar um controle de perdas efetivo? Existem poços perfurados há mais de dois anos que ainda não entraram em operação. Há um plano de substituição paulatina das redes antigas e subdimensionadas? Hoje nota-se que a equipe que opera o DAE está apenas apagando incêndio.

A nossa cidade está crescendo, é visível o boom imobiliário que estamos vivenciando. Como uma equipe que mal consegue apagar os incêndios pode pensar em fontes alternativas de captação sabendo que a produção está aquém da demanda? Quais mananciais explorar, superficial? Subterrâneo? Qual a viabilidade de cada um, quais as alternativas possíveis, custo-benefício?

Tudo isto demanda estudos técnicos complexos de uma equipe capacitada e consome muito tempo com entraves técnico ambientais como escolha de áreas, avaliações, desapropriações, licenciamentos ambientais, licitações, coisas que não se resolvem da noite para o dia.

Criar comissão para tentar resolver apenas problemas administrativos, tenho comigo que é apenas para desviar a atenção do ponto nevrálgico da questão. Acho que o buraco é mais embaixo. Quem está no comando, deve cair na real e parar de brincar de gerenciar e tratar a coisa pública com seriedade e não com politicagem, porque quem no futuro pagará o um alto preço, seremos nós cidadãos bauruenses.

Onam Gonçalves de Castro

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