Esportes

Judô: Sabino garante Bauru em Londres

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 3 min

 

Enquanto aguarda ansiosa a confirmação do nome do armador Larry Taylor, do Bauru Basket, na lista de convocados do técnico Rubén Magnano para a Seleção de basquete, a torcida bauruense pode comemorar uma vaga certa nas Olimpíadas de Londres. 

 

Seguindo sua nova trajetória no judô, agora fora dos tatames, depois de oito anos Mário Sabino volta a ser convocado para uma Olimpíada. Hoje com 39 anos, o bauruense foi confirmado como auxiliar técnico da equipe masculina de judô que defenderá as cores do País na Inglaterra. Ele irá trabalhar ao lado de Luiz Shinohara, técnico da Seleção da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), onde Sabino trabalha há dois anos. 

 

Como atleta, o bauruense representou o Brasil em Sydney, na Austrália (2000), e em Atenas, na Grécia (2004), sendo que a melhor classificação que obteve foi um sétimo lugar, há 12 anos. Deixando os Jogos Olímpicos de lado, Sabino ganhou a medalha de ouro no Pan-americano de 2003, em Santo Domingo, e o bronze no Mundial de Osaka, em 2003. Agora, com a nova função, pretende garantir em Londres a única medalha que lhe falta. “Vê-los (os atletas) realizar o sonho olímpico será realizar o meu também”, comenta.

 

Sabino embarca hoje para o Japão com o restante da delegação brasileira, que fará um período de treinos no país do Oriente. “Viajamos amanhã (hoje) para uma série de treinamentos durante três semanas. Lá vamos treinar em duas universidades (Tokai e Kokushikan) que fornecem atletas para o judô japonês e também na academia da polícia local”, cita Sabino explicando que a polícia japonesa exige que seus oficiais sejam faixa preta em pelo menos uma arte marcial. “Isso faz com que muitos atletas, quando param de lutar profissionalmente, ingressem na polícia”.

 

Segundo o agora auxiliar técnico da Seleção, a iniciativa de treinar em território japonês foi uma alternativa encontrada para equilibrar os treinos e preparar da melhor maneira possível o grupo brazuca. “Temos atletas de alto nível, que são os convocados (sete, no masculino). Acontece que, no Brasil, eles fariam uma ou duas lutas de alto nível, enquanto que lá eles podem fazer 20 ou 30 lutas equilibradas”.

 

Junto com o bauruense e o técnico Shinohara, viajam ao Japão o fisioterapeuta Thiago Takara, a nutricionista Roberta Lima, e os atletas Felipe Kitadai (60kg), Leandro Cunha (66kg), Bruno Mendonça (73kg), Leandro Guilheiro (81kg), Tiago Camilo (90kg), Luciano Corrêa (até 100kg) e Rafael Silva (mais de 100kg).  

 

 

 

Estilo militar

 

Um dos fatores cruciais para que Sabino garantisse a sua vaga em Londres foi o reconhecimento de seu trabalho na Seleção Brasileira de Judô Militar masculina, de quem foi técnico na disputa dos Jogos Mundiais Militares de 2011, no Rio de Janeiro. Na ocasião, atletas como Tiago Camilo, Luciano Corrêa, Daniel Hernandes, Nacif Elias, Leandro Guilheiro, Leandro Cunha e Denilson Lourenço, foram integrados à Seleção Militar. “Esse relacionamento entre o Ministério da Defesa e a Confederação de Judô foi fundamental para que o esporte evoluísse e para que pudéssemos criar alternativas para formar equipes competitivas. A Confederação trabalha com políticas de intercâmbio para manter o nível. E isso se aplica também nas categorias de base, já que o mesmo investimento no adulto é feito nas seleções menores”, diz.

 

 

 

Expectativas

 

Sabino aponta que a expectativa por resultados em Londres traz sim um peso maior aos judocas brasileiros, mas garante que o grupo está preparado para tanto. “O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) vê o judô como carro-chefe do Brasil em Londres. Mas isso vem em resposta de nossos resultados. Para se ter uma ideia, todas as nossas 14 vagas (7 no masculino e 7 no feminino) vieram através do ranking mundial, e não precisamos recorrer à cota continental. Hoje, posso dizer que se temos 14 atletas, todos entram com chance de medalha”, cita Sabino.

 

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