Tribuna do Leitor

Mãe querida


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Tarcila Amélia Colombo do Lago, mãe querida viva em meu coração eternamente. Mãe, gostaria de acariciar teu rosto e dizer que és tudo para mim. Peço perdão, se te causei algum desgosto, e se contribui para a rapidez de teu fim.

Como sinto não poder voltar a ser criança, para de ti ouvir aquelas histórias que me encantavam e que faziam com que eu viajasse no mundo da fantasia e da futura realidade. A gente cresce, só ficam as lembranças, marcas de um passado cheio de glórias. Outro dia, visitei a casa onde morávamos, e te vi sentada na poltrona da sala. Confesso que, de saudade, quase morri, e lágrimas começaram a rolar em minha face Recordei-me do teu canal de TV preferido, da novela que assistia e das minhas amargas horas de tédio, e de tuas palavras de conforto que aliviavam minha solidão. Ainda estavam lá aquela jabuticabeira, o pé de romã...o fogão a lenha no fundo do quintal, onde tantas vezes você assou os pães que davam sabor a nossa vida. Até escutei o rastejar de seu chinelo, o mesmo som que eu ouvia quando você vinha em direção à área, onde eu passava horas estudando.

Ainda estão lá as nossas lembranças, os nossos ecos, só não estamos, infelizmente, nós.

Oh! mãe, que saudade de tudo da nossa antiga casa, da sua comida, do seu café com aquele cheirinho de amor, do teu afeto e do teu jeito de falar, calma e sempre pausada, com o "r" típico das Minas Gerais, terra em que você nasceu e que tanto amava. Tínhamos tudo, mesmo faltando algo.

Lembro-me dos seus retornos de Minas, sempre com alguma guloseima para saborearmos.

A tua face, ainda jovem, resplandecia de tanta alegria por rever seus familiares.


Da novena da tarde na rádio, quando você colocava o copo com água para ser abençoada para depois tomarmos na benção final, outra lembrança inefável...Pedia pelos filhos que fossem felizes e honestos e um mundo fraterno, era tudo o que querias.

Quando chegava a noite, sentada na sala ficavas horas contemplando o infinito.

Ao deitar-se sua prece a Deus subia: "Senhor, livra meus filhos das garras do maldito e os liberta de toda maldade".

O meu sonho era estudar, ser professora, com as suas orações e seu incentivo eu fui. Vivi intensamente esse período e hoje repouso na minha aposentadoria merecidamente

O teu desejo era ver-me casada e vivendo o amor, a fim de que eu hão mergulhasse na solidão, e você chegou a ter esse desejo realizado, teve a alegria de conhecer meus filhos seus netos que pouco conviveram com você, mas o suficiente para te amar até hoje como todos seus netos, só não chegou a conhecer as minhas netas.

Mas tudo passou, mãe querida: envelheceste, e adoeceste e tudo terminou tão triste. Só não passaram os exemplos de tua vida e a tua fé, que no meu coração coloquei. Apesar de viver num mundo de mentiras, inveja, maldade, egoísmo e corrupção, não se apoderam de mim o temor, a ira, pois de ti aprendi o caminho da libertação. Deus!

Hoje, sem você, só me resta saudade...

Por isso, com os olhos em prantos, deixo aqui na singeleza dessas palavras minha ternura e gratidão neste Dia das Mães. Descanse em paz, mãe querida! E, assim, mesmo tendo partido, para o Reino prometido, sempre sentiremos sua presença por perto e a triste realidade de não te abraçar neste dia será eterna.

Quero abraçar todas as mães, sogra, filha, irmãs, cunhadas, sobrinhas, primas e amigas e desconhecidas, deixando aos filhos ingratos que rejeitam suas mães na velhice o meu protesto. Afinal, a vida de uma mãe só terá sentido se, na sua velhice, perceber que fez o possível para cumprir sua missão, como minha mãe cumpriu a sua e como eu tento cumprir a minha.


Carmen Fátima do Lago Manso

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