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Manifestação contra ditadura causa reação

Folhapress
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Belo Horizonte  - Cerca de 30 jovens promoveram manifestação ontem em Belo Horizonte em frente à casa de um médico legista suspeito de conivência com torturas durante a última ditadura militar (1964-1985). O legista João Bosco Nacif da Silva foi até a rua e reagiu contra o grupo. 

 

Com cartazes e tambores, os jovens ditaram palavras de ordem para chamar a atenção da vizinhança do médico, no bairro Belvedere, de alto padrão. O protesto começou às 7h.  Depois de 40 minutos de manifestação, o médico desceu do prédio e foi tirar satisfações com os manifestantes.  O protesto faz parte de uma nova rodada de protestos pelo país, denominados “esculachos”, contra suspeitos de tortura ou conivência com a prática na última ditadura militar. 

 

Imagens do protesto em BH publicadas na internet pelo movimento Levante Popular da Juventude mostram o homem arrancando um papel que era lido por um manifestante, dizendo não ser “criminoso” e indo na direção do cinegrafista para impedi-lo de gravar. Os manifestantes disseram que dois deles foram agredidos. 

 

Ex-médico legista no IML (Instituto Médico Legal) de Belo Horizonte, Silva é citado pelo movimento “Tortura Nunca Mais” como responsável por emissão, em 1969, de laudo confirmando morte por suicídio do preso político João Lucas Alves, que tinha sido torturado na prisão, conforme relatos de outros presos. 

 

“O Levante Popular da Juventude reitera a necessidade de uma maior mobilização da sociedade para que a Comissão da Verdade seja efetiva no cumprimento de suas funções e os criminosos sejam punidos”, diz comunicado do movimento. 

 

Na tarde de ontem, a informação na casa do médico era que ele não estava e só retornaria no fim do dia. O número de celular também não foi informado. 

 

O movimento divulgou ter 

promovido protestos também em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Aracaju, Recife, Belém, Natal, Fortaleza, João Pessoa, Santa Maria (RS) e Teófilo Otoni (MG). 

 

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