Economia & Negócios

Construção civil investe em proteção

Da Redação
| Tempo de leitura: 5 min

A união de fatores como déficit habitacional, incremento da renda da população e investimentos pesados do governo federal em programas de moradia tem mantido em alta o mercado da construção civil, que não foi afetado nem mesmo pela crise internacional. Na avaliação de entidades especializadas, como o Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp), a previsão é de que este seja o grande “player” de 2012, com crescimento projetado de 5,2% no Produto Interno Bruto (PIB) no setor e de até 9% em toda a cadeia produtiva.

 

E é exatamente essa expansão contínua registrada nos últimos anos, com recordes de projetos e geração de empregos, que tem evidenciado a necessidade de se investir em ações de proteção contra os riscos inerentes à construção de prédios e residências. Exemplo recente é o desmoronamento do Edifício Liberdade, no Centro do Rio de Janeiro, que vitimou dezenas de pessoas.

 

O conceito de prevenção não se restringe à solidez do empreendimento e ao perfeito funcionamento dos maquinários, mas inclui também riscos a terceiros e a responsabilidade civil do engenheiro e da companhia construtora, que por força de lei, é responsável pela solidez e segurança da obra por cinco anos.

 

 

Em alta

 

O ritmo acelerado de obras espalhadas por todas as regiões de Bauru, assim como ocorre em nível nacional, vai ao encontro de dados bastante recentes que apontam para o crescimento da economia brasileira - atualmente ocupando o posto de sexta maior do mundo. E as previsões são de continuidade deste crescimento.

 

Segundo pesquisa  publicada pela Cetel em conjunto com a Ipsos Public Affairs, em 2011 a classe C teve acréscimo de 2,7 milhões de pessoas vindas das classes D e E, enquanto as classes  A e B tiveram incremento de mais de 230 mil pessoas oriundas da classe C. A mesma pesquisa  mostra que o crescimento da renda disponível  foi da ordem de mais de 20%, sendo que na classe C o percentual foi de quase 50%.

 

Fator primordial para o crescimento do setor tem sido os incentivos governamentais em programas habitacionais e obras destinadas à realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Esta realidade tem propiciado, em especial, crescimento sem igual  no lançamento de novos empreendimentos destinados às classes A, B e C.

 

 

Avaliação

 

Enquanto isso, a análise da  realidade nos canteiros de obras tem mostrado que as grandes e médias empresas têm maior preocupação com os riscos inerentes ao empreendimento. Já as pequenas empresas, por falta de conhecimento, encontram dificuldade em prever riscos e perigos presentes na execução dos projetos e deixam de  adotar  medidas  que podem reduzi-los. A falta de análise dos riscos e adoção de medidas protetivas pode inviabilizar não apenas o projeto, mas o próprio funcionamento das empresas construtoras quando da ocorrência de sinistros.

 

Com foco nesta realidade, nesta sexta-feira a empresa bauruense AD Corretora de Seguros promove a palestra “Responsabilidade civil do engenheiro e das empresas de engenharia durante a execução das obras e serviços”, na sede da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag). O evento, que tem apoio do Jornal da Cidade e do Crea, será realizado das 8h às 10h.

 

 

Prevenção de riscos começa pelo conhecimento

 

Para avaliar e gerenciar riscos, é necessário conhecer todos os aspectos envolvidos. Para isso, o auxílio de profissionais preparados pode ser um grande diferencial. Diante do incremento de novas técnicas e ferramentas, o aprimoramento constante também é fundamental.

O engenheiro Luiz Augusto Franzolin, da construtora bauruense Assuã, observa que a procura por cursos e palestras de capacitação dos engenheiros se deve ao amparo em situações que possam sair do controle. 

 

“Além do investimento em treinamento, cuidamos também da capacitação e seleção de parceiros e subempreiteiros capacitados. Mesmo assim, ainda estamos sujeitos a imprevistos. Por isso, investimos em ferramentas que trazem mais segurança para a construtora e, consequentemente, para nossos clientes”, explica. Para ele, o treinamento dos profissionais ligados à engenharia é um grande diferencial de mercado. 

 

“É indispensável conseguir manter a qualidade esperada em nosso produto. Dessa forma, contribuímos também para o crescimento sustentável da empresa”, avalia.

 

Uma das ferramentas disponíveis no mercado que objetivam minimizar os riscos enfrentados pelo setor é a contratação de seguro em uma de suas modalidades: risco de engenharia, responsabilidade civil contra terceiros e responsabilidade profissional do engenheiro, ou ainda, dentro de um leque geral de responsabilidade civil da empresa.    

 

O gerente de Infraestrutura da AD Corretora de Seguros, Arthur Teixeira, afirma que um dos papéis mais importantes de um engenheiro responsável pela obra é elaborar diagnóstico completo dos riscos envolvidos, conforme o projeto, desde a fundação até os equipamentos que serão utilizados. 

 

Segundo ele, algumas corretoras de seguro podem disponibilizar serviços personalizados que não só auxiliam o proprietário da obra e/ou engenheiro na identificação de riscos, como também acompanham a execução do projeto. Ao verificar qualquer desvio, emitem relatórios de alerta.

 

 

Análise de impactos

 

Diante do mercado competitivo e exigente da construção civil, a boa análise de risco interfere na rentabilidade e até na viabilidade das empresas. Ao se considerar o risco de acidente em uma obra, é necessário levar em consideração, além da probabilidade, o impacto que ele provocará.

 

Caso a conclusão indique que, apesar da baixa probabilidade de sua ocorrência, seu impacto será catastrófico, há necessidade premente de tratá-lo, acompanhá-lo e minimizar eventuais efeitos.

 

Além das consequências financeiras que todos os envolvidos em um eventual acidente podem sofrer, outro fator de análise que merece destaque é o “risco de imagem”, que tanto o construtor quanto o empreendedor podem experimentar. O consumidor, ao tomar ciência dos fatos, poderá optar pela compra de outro empreendimento imobiliário.

 

 

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