Sanaa - O ataque de um homem-bomba durante os ensaios para uma parada militar matou 96 soldados e feriu pelo menos 200 pessoas em Sanaa, capital do Iêmen.
A Al-Qaeda na Península Arábica, braço mais ativo do grupo terrorista e que opera no país, assumiu a autoria da ação em e-mail enviado a BBC, mas até ontem à noite não havia confirmado a informação nos seus sites onde costuma publicar as suas operações.
O ataque é mais um indicador das dificuldades enfrentadas pelo país após a onda de revoltas iniciada no ano passado que derrubou em fevereiro o ditador Ali Abdullah Saleh. Ele estava havia 33 anos no poder.
A parada militar, marcada para hoje com o objetivo de celebrar a unificação do país em 1990, seria um evento para mostrar a força do governo do presidente interino Abd-Rabbu Mansour Hadi. O evento ainda estava confirmado.
De acordo com testemunhas, o ataque foi realizado por um homem que estava vestido de militar e aconteceu momentos antes de o ministro da Defesa, Nasser Ahmed, saudar as tropas.
O ministro, que estava a cerca de 30 metros da explosão, não teria ficado ferido.
A ação chama ainda mais atenção porque um único homem conseguiu matar tantas pessoas. A explosão não teria sido grande, mas a pouca distância de suas vítimas tornou-a ainda mais letal.
“Cinquenta pessoas morreram bem ali no local”, afirmou ao “Guardian” o coronel Mohammed al-Kibsi, apontando para as marcas deixadas pela bomba no asfalto.
Além de ser o maior ataque em Sanaa nos últimos anos, o atentado indica uma mudança nas operações da Al-Qaeda, já que até então ela havia priorizado ações contra militares em regiões mais remotas, não na capital.
Retaliação
Um porta-voz do grupo Ansar al-Sharia, afiliado da Al-Qaeda, afirmou à rede norte-americana de TV ABC que o atentado foi uma retaliação pelas ações do Exército iemenita e pelos ataques dos drones (avião não tripulado) dos EUA no sul do país.
Segundo ele, o ataque foi uma mensagem aos Estados Unidos e aos “instrumentos dos americanos” que estavam visando os mujahedin (guerreiros religiosos).
Ajudadas pelos drones dos EUA, as tropas do Iêmen têm intensificado nas últimas semanas as operações contra a Al-Qaeda para reassumir o controle no sul do país.
Um dos líderes do grupo terrorista foi morto no início do mês por um míssil quando saia do carro.
Foi no Iêmen que o grupo terrorista planejava novo atentado contra um avião que ia para os EUA -a ação foi desmantelada pela inteligência americana recentemente.