Tribuna do Leitor

Por que o PT deve ter candidatura própria em Bauru?


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Pertenço a uma tendência interna do Partido dos Trabalhadores ? Esquerda Marxista ? que combate o amplo arco de alianças promovido pelo meu partido, em vistas ao processo eleitoral. Recentemente, realizamos um encontro municipal onde nossos filiados debateram e votaram entre continuar a aliança com o PMDB tendo o PT como vice (leia-se Estela Almagro) ou lançarmos candidatura própria. Nossa posição foi derrotada, mas é necessário sustentá-la, ainda que em apertada síntese. No âmbito do nosso município, qual a contribuição que essa aliança deu para o conjunto da classe trabalhadora? O que fez essa administração para enfrentar temas de maior fôlego que afetam diretamente a vida dessas pessoas? Ou se de fato os enfrentou ou se submeteu apenas a interesses estranhos aos interesses da maioria da populaçÍ o? Citamos alguns exemplos: Qual a saída que este governo encontrou para enfrentar a crise na saúde a não ser criar a fundação pública de direito privado que pavimenta o caminho da tercerização, um verdadeiro ataque aos direitos dos servidores e um ataque brutal a uma das nossas maiores conquistas que foi o SUS.

O que foi feito em relação ao transporte publico? Um transporte caro, ineficiente e de péssima qualidade onde os maiores beneficiários são apenas os proprietários de ônibus e não os passageiros que ainda arcam com todo custo da tarifa. O município não dá sequer uma moeda para subsidiar o sistema e ainda acaba de decretar novo aumento das passagens, com índices acima da inflação.

Um governo que insiste em ampliar o perímetro urbano para atender os interesses dos grandes empreendedores residenciais, sem exigir qualquer estudo de impacto de vizinhança, que é um instrumento de proteção ambiental e de proteção a qualidade de vida da população residente nas proximidades. Que abre mão de aplicar o IPTU Progressivo no Tempo, aprovado pela Câmara, uma ferramenta importante no combate à especulação imobiliária na cidade. Que tenta oferecer incentivos fiscais para empresários, através do Programa de Atração de Investimento (PAI) numa escancarada tentativa de declaração da famigerada guerra fiscal. E por fim, entre outras, a bola da vez; o DAE. Além de servir de hospedeiro generoso ao presidente do nosso partido por mais de 3 anos e de outros ca rgos, sofre com a leniência do nosso prefeito em não cobrar os grandes devedores de água e a crise desta autarquia segue noticiada cotidianamente. O PT não pode ser apenas um partido sazonal, um partido vivendo de safra e entre safra. Não é vocação do PT atuar como coadjuvante. Não nascemos pra isso. Portanto, acredito que o PT, no conjunto de seus filiados e na defesa de seus princípios, deve reavaliar a decisão tomada no último encontro e romper com essa futura aliança.

Fabrício Genaro - Membro do Diretório do Partido dos Trabalhadores de Bauru

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