Tribuna do Leitor

O BEM SOCIAL COMO FINALIDADE PRIORITÁRIA DAS INSTITUIÇÕES DE CARIDADE


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Lendo recentes comentários publicados na coluna do leitor deste jornal sobre a atual administração do Rafael Maurício e os louváveis esclarecimentos prestados pelo Lar recentemente, paro para questionar se realmente é importante termos tantas instituições de caridade ou se seria melhor termos menos instituições mais equipadas, melhor qualificadas e com trabalho mais eficiente. Não há duvida quanto à boa vontade que move os que delas participam. Mas vemos, constantemente, uma disputa por doações, associações e meios que gerem renda, que chega a ser inviável aos cidadãos que querem colaborar, dar uma contribuição condizente. Seja com trabalho voluntário, seja com destinação de renda. Acaba sendo uma migalha aqui, outra ali. Penso se não seria o caso de despir-se de memória afetiva, de apegos pessoais, e buscar um resultado que vá de encontro à finalidade social, puramente. Talvez deixando extinguir uma entidade ou outra. Talvez unindo as que já existem, para que somem forças, revitalizem, e deixem de disputar espaço e ?mercado?, de modo que passem a agregar colaborações, ao invés de dividi-las.

Hoje temos lar dos cegos, lar dos idosos, lar da criança desamparada ... e ainda as entidades sócio-assistenciais de apoio ao portador de HIV, ao renal crônico, de combate ao câncer, de integração escolar da criança especial, de proteção à maternidade, de pais e amigos dos excepcionais... Todas elas necessitando de colaboração. Outras vezes vemos um patrimônio imenso, destinado a meia dúzia de abrigados. Enquanto seus funcionários ? que também tem família para sustentar ? não têm salários dignos e, pior, sequer tem salários pagos. Eles são também necessitados!

Me parece, sinceramente, que seria muito mais eficaz termos meia dúzia de instituições que efetivamente dessem resultado, que tivessem excelência na prestação de seus serviços sociais, do que uma infinidade de entidades que atua precariamente ? embora nutridas de boa intenção. Talvez diminuir o número de entidades não signifique extingui-las e sim, simplesmente, fundi-las. Mas, para tanto, a finalidade social há de ser prioridade, abrindo-se mão da vaidade e do apego emocional, focando todo o propósito unicamente na caridade.

Marcela Carneiro da Cunha

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