Internacional

EUA seguem demais países e expulsam representante síria expulsam representante sírio

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Damasco - Os EUA acompanharam o exemplo de vários países ocidentais e também anunciaram a expulsão de um representante diplomático sírio do país, como manifestação de repúdio pelo massacre do último final de semana na cidade de Houla.

 

O encarregado de negócios sírio em Washington, Jabbour Zuheir, tem 72 horas para abandonar o país, informou a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland.

 

Antes dos EUA, Alemanha, Austrália, Canadá, Espanha, França, Itália, e Reino Unido já haviam anunciado a expulsão de diplomatas ou embaixadores da Síria.

 

Além dos americanos, a Bulgária também repudiou o representante diplomático sírio. A Holanda, que não pode expulsar o diplomata sírio (que tem residência no território), declarou como “persona non grata” o embaixador desse país.

 

Israel, que não tem relações diplomáticas com a Síria, comemorou a decisão dos países ocidentais.

 

“A expulsão dos embaixadores da Síria é um novo passo no caminho para derrotar o regime da família Assad. Outros governos do mundo deveriam agir de maneira similar”, disse o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, em um discurso em seu ministério.

 

Assad, acrescentou Barak, “não pode continuar fazendo parte da comunidade das nações”.

 

O grupo oposicionista CNS (Conselho Nacional Sírio) também congratulou a comunidade internacional pela expulsão dos representantes diplomáticos.

 

“O CNS dá apoio total a essas medidas” e “convoca a comunidade internacional a romper todos os laços diplomáticos com o regime sírio”, declarou o grupo oposicionista, em comunicado oficial.

 

 

 

Cessar-fogo

 

O movimento ocidental de repúdio ao regime de Assad é o ponto culminante, até o momento, de meses de desgaste e comoção mundial com os eventos na Síria.

 

Antes do massacre em Houla e após o acordo de cessar-fogo, quase 2.000 já morreram por conta da repressão do regime sírio e de confrontos com os movimentos insurgentes.

 

No episódio, mais 87 pessoas morreram somente no domingo, além de outras 41 na segunda-feira. Relatos iniciais da oposição apontam outras dezenas nesta terça-feira.

 

A sucessão de episódios violentos parece ter afetado até mesmo os poucos aliados que Assad ainda tinha junto à comunidade internacional.

 

Ontem, até mesmo a Rússia, uma 

das vozes isoladas em defesa de Assad, apontou a culpa (parcial) do regime sírio no massacre de Houla.

 

 

 

Fim da violência

 

O enviado especial da ONU à Síria, o ex-secretário-geral Kofi Annan, exigiu ontem ao regime sírio que tome medidas “agora e não amanhã” para implementar o plano de paz proposto em abril, em encontro com o ditador Bashar Assad. 

 

Em resposta, Assad afirmou que as medidas serão aplicadas caso haja “o fim do terrorismo”.

 

Durante a reunião, o ditador sustentou a opinião sobre a participação de extremistas nos ataques às tropas do governo e Annan disse que o plano de paz não está sendo aplicado como deveria. 

 

“Queremos agora ações e não meras palavras. O tempo está passando e são necessários passos rápidos e resultados porque continuam os assassinatos e os abusos na Síria”, afirmou o enviado especial.

 

“Temos que acabar com essa violência e começar a reviver a esperança em uma transição política.”

 

O ditador sírio também condicionou a retirada de militares das forças do regime ao “fim do contrabando de armas e do financiamento aos terroristas”. 

 

De acordo com a agência de notícias estatal Sana, Assad afirmou que o governo “respeitou o cessar fogo, diferente da outra parte, que não se comprometeu com o acordo com a ONU”.

 

 

 

Brasil 

 

O ministro de Relações Exteriores Antônio Patriota afirmou ontem que o Brasil não pretende, por enquanto, expulsar diplomatas sírios, ao contrário do que fizeram países ocidentais. Patriota afirmou que o país se “associa integralmente” à declaração dada pelo Conselho de Segurança da ONU no domingo à noite, repudiando os ataques. 

 

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