Cidade do Vaticano - O papa Bento XVI denunciou de maneira irritada ontem o que chamou de falsa cobertura da mídia de um escândalo de vazamento que agitou o Vaticano e expressou total confiança nos auxiliares próximos que estão na linha de fogo durante a pior crise de seu papado. Em um discurso extraordinariamente brusco no final de uma audiência geral na Praça de São Pedro, onde ele se referiu várias vezes ao sofrimento pessoal, o pontífice de 85 anos disse que acontecimentos recentes haviam causado tristeza em seu coração.
“Sugestões se multiplicaram, amplificadas por alguns meios de comunicação que são totalmente sem fundamento e que foram muito além dos fatos, oferecendo uma imagem da Santa Sé que não corresponde à realidade”, disse Bento sobre o escândalo que levou à prisão de seu mordomo por roubar documentos secretos.
Referindo-se a assessores sêniores do Vaticano, que os meios de comunicação italianos acusam de travar uma guerra de vazamento como parte de uma luta interna pelo poder, Bento acrescentou: “Eu gostaria de renovar a minha confiança e o meu encorajamento aos meus colaboradores mais próximos e todos aqueles que a cada dia, com fé, espírito de sacrifício e em silêncio me ajudam a realizar meu ministério.” A primeira referência pública do papa ao escândalo destacou a dor que ele está sentindo por causa de uma série de vazamentos e alegações de corrupção generalizada do Vaticano.