A política de venda de terrenos espalhados pelo Estado de São Paulo, adotada pela Companhia da Habitação Popular de Bauru (Cohab) ainda em 2010, com o objetivo de amortizar pequena parte de sua milionária dívida de R$ 418 milhões até 2018, ainda não alcançou pouco mais de 10% do valor total esperado em arrecadação. A dívida de curto prazo, já em execução judicial, supera a R$ 150 milhões.
A expectativa da companhia é de que fossem R$ 33 milhões obtidos com as vendas. No entanto, este valor é de apenas R$ 3.704.800,00 até agora, a partir da comercialização de 22 imóveis.
Foram quatro em Macatuba, dois em Lençóis Paulista, quatro em Pederneiras, um em Itapuí, dois em Barra Bonita, um em Mineiros do Tietê, um em Presidente Prudente, dois em Barretos e um em Bebedouro.
Além disso, foram dois imóveis vendidos em Bauru. Um deles, de pequeno porte, localizado no Núcleo Geisel. O outro, porém, foi responsável por quase metade do valor arrecado com as vendas. Trata-se da antiga sede da Associação dos Funcionários da Cohab (Ascob). O local foi vendido por R$ 1.785.000,00.
Ainda há, no entanto, uma extensa lista de imóveis no município que devem ser comercializados pela Cohab. São três no José Regino, um no Redentor, um no Nove de julho, três no Índia Vanuire, 17 na Vila Tecnológica e uma casa na Vila Clara. Mas a concentração está mesmo no Beija-Flor, onde há 160 lotes de 600 metros quadrados disponíveis.
A concorrência pública para todos esses imóveis será aberta em julho deste ano, segundo Cleber Speri, presidente da Comissão de Licitações da Cohab. A expectativa é de que as vendas acarretem em montante de R$ 7.750.000,00.
No entanto, muitos dos imóveis disponibilizados para a comercialização não obtiveram êxito na venda. É o caso dos 32 imóveis que serão colocados à venda na manhã do dia 11 de junho. São terrenos em Porto Ferreira, dois em Lençóis Paulista, 14 em São Manuel, seis em Presidente Prudente, um em Barretos e outro em Bebedouro.
Caso todos esses imóveis sejam vendidos, a Cohab espera arrecadar o remanescente. Ela reconhece a dificuldade na venda desses terrenos e atribuiu o problema a um momento não muito aquecido do mercado imobiliário. Além disso, explica que o ritmo de licitações dos imóveis da Cohab depende de avaliações criteriosas, de acordo com parâmetros estabelecidos pela Caixa Econômica Federal (CEF). No entanto, ele diz que as vendas estão dentro do cronograma e devem avançar ao longo deste ano. Cleber Speri explica que, caso as futuras vendas sejam bem sucedidas, ainda restarão imóveis em outros 36 municípios do Estado para serem comercializados. Até agora as vendas aconteceram em apenas 10.
Sem licitação
A Cohab tem ainda um imóvel de porte, localizado próximo à Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), que tentou vender, sem sucesso, por duas ocasiões. Como dois processos foram fracassados, a companhia pode praticar a venda direta do terreno desde que a transação seja feita pelo valor mínimo de R$ 3.049.000,00.
Cleber Speri afirma que, agora, há interessados na compra do imóvel. “A procura foi impulsionada pela inauguração do supermercado atacado na região”, explicou.
Desapropriações
Cleber Speri afirmou ainda que Édison Gasparini Júnior negocia a desapropriação de imóveis da Cohab pela Prefeitura, pelo fato de já serem ocupados por estruturas públicas municipais. A estimativa é de que esses imóveis valham mais que R$ 11 milhões. “A Cohab tem três terrenos onde passa a avenida Nuno de Assis. Existe outro, no Geisel, onde foram plantadas muitas árvores por munícipes e a prefeitura deseja fazer uma praça. Além disso, os imóveis onde estão a biblioteca do Jardim Progresso e a Liga Bauruense de Futebol também são da companhia”, exemplificou.