Iacanga – Após denúncia feita por um vereador de Iacanga (50 quilômetros de Bauru) de que pelo menos três candidatos seriam supostamente favorecidos num concurso público, a prefeitura decidiu cancelar as provas e devolver o dinheiro dos que já haviam feito a inscrição. As pessoas citadas pelo parlamentar pedem a instauração de inquérito policial para apurar suposto abuso por parte dele no uso da tribuna livre.
O concurso, aberto em maio, visava ao preenchimento de vagas para os cargos de ajudante de serviços braçal, encanador de manutenção, monitor de orientação pedagógica, atendente odontológico, auxiliar de compras, técnico de instruções artísticas e atividades rítmicas, biólogo e médico veterinário. O valor das inscrições variava de R$ 10,00 a R$ 30,00, de acordo com o grau de escolaridade exigido do candidato.
Na sessão do último dia 15, ao fazer uso da tribuna, o vereador Joaquim Sedemak Filho (PV) declarou que os ocupantes de pelo menos três cargos já haviam sido pré-definidos e que o fato era de conhecimento de toda a população. Em sua fala, ele chegou a citar o nome das três pessoas que, supostamente, seriam beneficiadas pela prefeitura no concurso e pediu a ajuda dos colegas de plenário para que as denúncias fossem apuradas.
O vereador Carlos Francisco Abdala (PSDB), também na tribuna livre, defendeu a transparência da atual administração e criticou as denúncias feitas pelo colega alegando que os vereadores têm a função de investigar, desde que haja algum indício de irregularidade. Na opinião dele, “profetizar” o resultado do concurso foi uma acusação “séria” e “prematura”, que poderia prejudicar os candidatos.
Cancelamento
Coincidência ou não, alguns dias após a denúncia na Câmara, alegando “motivo de ordem administrativa”, a prefeitura de Iacanga cancelou o concurso e devolveu o dinheiro das 70 pessoas que haviam feito a inscrição. O chefe de gabinete do município, Moacir Bueno, nega as irregularidades e conta que as três candidatas citadas pelo parlamentar protocolaram requerimento pedindo o cancelamento do concurso sob a justificativa de que haviam sido seriamente prejudicadas.
“O vereador foi inconsequente, irresponsável e leviano para fazer essas acusações. Se elas entrassem, ele iria dizer: eu já tinha cantado a bola que ela iria passar. Elas não poderiam passar no concurso”, diz. “Diante desse pedido, o prefeito analisou, reconheceu que elas seriam evidentemente prejudicadas e achou por bem cancelar o concurso. Cancelou em função disso, porque prejudicaria três pessoas que não tinham nada a ver com a irresponsabilidade desse vereador”.
Quando questionado sobre eventuais prejuízos que os demais candidatos tiveram, Bueno desconversou. “Na publicação do cancelamento, a gente colocou o dinheiro todo de volta para todo mundo que tinha feito inscrição. Houve prejuízo para todos: a prefeitura foi prejudicada, as três candidatas, principalmente, que foram citadas, e os demais candidatos, que não tinham nada a ver com isso e acabaram sendo impedidos de participar de concurso ainda neste ano”, revela.
O vereador Joaquim Sedemak Filho (PV) alega que não tinha a intenção de provocar o cancelamento do concurso, mas sim denunciar supostas irregularidades que chegaram até ele por meio de populares. “Eu sou um agente político e tenho que honrar os votos que tive”, declara. “O meu propósito era dar direitos iguais à toda a população que quisesse prestar o concurso”.
Inquérito policial
Além de protocolar requerimento na prefeitura, as três candidatas que se sentiram lesadas em razão das denúncias feitas pelo vereador pediram, por meio de representação, a instauração de inquérito policial na delegacia seccional de polícia de Bauru visando à apuração de suposto abuso por parte do parlamentar no uso da tribuna da Câmara.
O delegado-assistente da Delegacia Seccional de Bauru e responsável pelo cartório criminal, Eron Veríssimo Gimenes, informou ontem que, nos próximos dias, irá ouvir as partes e testemunhas para apurar a ocorrência de eventual delito, além de materialidade, circunstância e extensão dos fatos.