Política

Alianças expõem ?falência? de partidos

Vinicius Lousada com Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

As costuras em torno das alianças proporcionais e majoritárias para a eleição deste ano estão praticamente prontas e confirmam, na essência, que a disputa deste ano repete, em Bauru, o perigo da migração de forças dos mais variados matizes (inclusive de projetos pessoais) em torno da porta principal do Palácio das Cerejeiras.

As acomodações mostram grupos “alinhados” pela manutenção de vagas no setor público e outras que pretendem ressuscitar do período obscuro de corrupção vivido pela cidade até a década passada, agora pragmaticamente de braços dados com antigos “inimigos”. 

Foi necessária muita articulação com conversas e costuras. Mas finalmente, a quatro dias do prazo para início das convenções partidárias, as siglas de Bauru conseguiram definir o desenho das coligações proporcionais para a disputa por cadeiras na Câmara Municipal em 2012. A dificuldade, porém, se concentrou no arranjo dos partidos da base de apoio ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).

Eles são 15 ao total e vão se dividir em seis grupos para as eleições parlamentar. A maioria dos partidos grandes atraiu outros nanicos para ampliar de 25 para 34 o número de candidatos que podem ser apresentados, mesmo que os pequenos apresentem apenas um.

O objetivo é concentrar máximo de votos possíveis para, consequentemente, ampliar o número de vagas da legenda no Legislativo. Algumas legendas não têm qualquer vida orgânica. Outras tentam se agarrar à “popularidade” do momento em torno de Rodrigo, para permanecer próximas da costumeira mania de fazer da estrutura pública um modo de vida, ainda que por mais quatro anos. O movimento migratório se repete, como no passado.

O desafio, porém, foi acomodar os partidos de médio porte, que obrigariam os grandes a cortar um número maior de seus pré-candidatos e que geram riscos de candidatos com bom potencial de voto tomarem as vagas de algum de seus puxadores de eleitores (votos).


Alianças paralelas


O PDT e o PSB são os principais exemplos disso. O presidente do primeiro, Fabiano Mariano (PDT), conversou, no fim da tarde de ontem, com o dirigente do PP, Roberval Sakai (PP). Os vereadores afirmaram que a aliança entre as siglas está 99% acertada.

O diálogo deve avançar agora justamente no número de vagas que o PP, que diz ter chapa completa, vai abrir para Mariano e outros 10 pré-candidatos do PDT. A composição contará ainda com o PRB. O “nanico”, no entanto, não deve apresentar candidatos.

É preciso lembrar, porém, que a primeira opção do PDT era se coligar com o PMDB, mas os pré-candidatos do partido do prefeito se negaram a ter Fabiano como concorrente. Para a surpresa geral, no entanto, na noite da última terça-feira, o PMDB convidou o PSB para compor.

O partido de Paulo Eduardo de Souza (PSB), que chegou a conversar até com o PV, ganhou a chance de ser beneficiado pelos votos de legenda de Agostinho. A avaliação de observadores políticos é de que PMDB e PSB juntos podem eleger até cinco cadeiras, em razão de nomes fortes dos socialistas como Isaias Daibem, o próprio Paulo e, é claro, Toninho Garms, caso o mesmo consiga ser candidato apesar das divergências internas do partido.

Caso prospere a coligação entre socialistas e peemedebistas, o grupo conta ainda com o nanico PRP, que deve apresentar apenas um candidato.

Quem também cedeu algumas de suas vagas foi o PR, de Fernando Monti. Na noite de terça-feira, o partido de Fernando Monti fechou aliança proporcional com o PC do B, de Majô Jandreice, e a legenda criada há menos de um ano, o PPL, que, em Bauru, é comandado por Wilton Cleber Manueto. Cada um dos dois partidos deve indicar entre quatro e cinco pré-candidatos.

 

PT deve se juntar ao grupo de Izzo

Presidente do PSC em Bauru, Sílvia Azambuja é cautelosa ao dizer que deve fechar a coligação proporcional do partido apenas na próxima sexta-feira.

Para Sandro Bussola, dirigente do PT, no entanto, a aliança está confirmada. Os petistas não apresentaram rejeição à possível candidatura da ex-primeira dama, Rosa Izzo.

O acordo com o PT, é forte indício de que a esposa de Antônio Izzo Filho deverá concorrer a uma vaga da Câmara, pois a primeira opção do PSC, o PPS, impôs o não lançamento de Rosa como condição para a aliança prosperar.

O PPS, por sua vez, fechou apenas com o PHS. O nanico sofreu intervenção estadual, pois seu ex-presidente, Nelson Fio, desejava apoiar Clodoaldo Gazzetta (PV). No entanto, o presidente do PPS, Arnaldo Ribeiro, nunca escondeu que exerce forte influência sobre a ‘legenda amiga’.

 

Voo solo

O único partido da Arca de Rodrigo Agostinho a não fechar coligações proporcionais foi o PTB, de Ricardo Oliveira. O presidente diz ser contrário a esse tipo de aliança, mas tentou ampliar o número de 25 para 34 que poderiam ser apresentados por sua sigla em uma tentativa frustrada de composição com o PTN, que ficou fora do pleito este ano.

 

E a oposição?!

Por outro lado, as coligações proporcionais de apoio aos pré-candidatos à oposição foram fechadas com mais facilidade. Isolados, PSDB e DEM vão repetir na disputa para vereadores a aliança firmada em torno de Chiara Ranieri (DEM). Cada um dos dois partidos deve apresentar 17 pré-candidatos. A ideia foi formar uma chapa forte, com nomes de peso das duas siglas, a fim de tentar eleger uma boa bancada de parlamentares.

Os três partidos que apoiam Clodoaldo Gazzetta (PV) também estarão coligados na aliança proporcional. Além dos verdes, PSD e PRTB estarão juntos. O pré-candidato é o único, porém, que ainda não tem vice definido. O de Chiara será Gilson Rodrigues (PSDB) e Estela Almagro (PT) se mantém no posto em relação a Rodrigo Agostinho.

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