Polícia

Crise internacional leva PM a falar de segurança com taxistas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A crise internacional influencia os índices de segurança em Bauru? A resposta é sim para o comandante o 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM-I), tenente-coronel Nelson Garcia Filho. De acordo com ele, o aumento da produção de veículos, incentivada recentemente pelo governo federal com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), pode resultar em mais oficinas mecânicas abertas por ex-funcionários de montadoras. Consequentemente, o mercado exigiria mais peças de carros, oriundas de forma oficial ou clandestina. No segundo caso, muitas delas são comercializadas a partir do desmanche de veículos furtados ou roubados. Na ponta deste processo econômico estão os taxistas, que circulam pela cidade com seu automóvel, muitas vezes alvo de bandidos.

Para evitar que se tornem vítimas de assaltantes, o comandante do 4º BPM-I entrou em contato com o presidente do Sindicato dos Taxistas, Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bauru e Região, Vitor Tallão,  para agendar um encontro com a categoria sobre segurança. Ficou marcado para o dia 28 deste mês, às 16h, na sede do Batalhão. “A Polícia Militar trabalha na antecipação. Analisamos o cenário econômico porque qualquer mudança afeta os indicadores de criminalidade”, reitera Garcia. Segundo ele, num segundo momento, mototaxistas também serão chamados para um encontro com o mesmo objetivo.

Nos dois casos, são profissionais que transitam pela cidade, capazes também de observar várias situações de grande valia para a PM. Na reunião, além da troca de informações, condutas como a de não circular com grande volume de dinheiro no carro serão reforçadas. Outra orientação é evitar comentar com desconhecidos sobre a vida de clientes, que também podem entrar na mira de ladrões. “Se o taxista perceber que está sendo seguido, deve parar num posto de combustível ou na base da PM”, sugere o comandante.

Normalmente, os profissionais da área que circulam de carro são vítimas de roubo, crime de natureza grave por ameaçar a integridade física da vítima. Esse tipo de delito, porém, está em queda em Bauru, informa Garcia. Destaca que, neste quesito, a volume de registros na cidade é inferior a outras do mesmo porte. Atualmente, o principal desafio do 4º BPM-I é derrubar os números relativos a furtos de veículos e furtos em geral.


Histórico


Há alguns anos, porém, a incidência de assaltos alarmou a categoria, lembra o presidente do sindicato Vitor Tallão. Foram cerca de 14 roubos em apenas uma semana. Na época, uma cartilha de segurança foi distribuída para alertar os taxistas. Atualmente, muitos deles circulam com pouquíssimo dinheiro na carteira até porque optaram em ofertar para o cliente o pagamento em cartão.

“O volume de assaltos têm diminuído, mas temos de estar sempre alertas. Quando o taxista desconfiar de alguém, não deve fazer a corrida. À noite, tem que atender só por celular e cliente conhecido”, comenta. A orientação foi passada inclusive aos profissionais que resistiam em deixar os pontos à noite. Atualmente, Bauru conta com 199 veículos desta natureza.

Os que atendem no Terminal Rodoviário são os mais vulneráveis, pondera Tallão. O vaivém no local, também de pessoas de fora, aumenta o risco para os profissionais. E é justamente no local que Roberto de Oliveira, o Kita, trabalha há aproximadamente um ano. Neste curto período, um ladrão lhe ameaçou com uma arma na barriga após anunciar o roubo, não consumado por um único motivo: o assaltante o reconheceu. Kita é técnico de futebol do Milan, time da liga amadora de Bauru.

“Mas não dá para contar com sorte sempre. Tratar de segurança é importante em qualquer época. Vou participar do encontro pela primeira vez”, conclui.


Serviço

A reunião será no dia 28, quinta-feira, às 16h, na sede do 4º BPM-I, situado na avenida Luiz Edmundo Carrijo Coube, 3-1094, próximo ao Hospital Estadual, em Bauru.

 

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