A indústria da construção civil vive um momento excepcional no Brasil por conta da grande demanda em função do déficit habitacional e também pela oferta de financiamento da casa própria. Um estudo do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), regional Bauru, apresenta um raio X da evolução do segmento de imóveis residencias verticais de fevereiro de 2011 a janeiro deste ano. A cidade apresenta uma boa demanda por apartamentos de dois dormitórios respondendo por mais de 56% das 2.303 unidades lançadas no período.
Para o diretor regional em Bauru do Secovi-SP, Riad Said, dois dormitórios são o destaque da pesquisa. O estudo elaborado pelo Secovi-SP e pela Robert Michel Zarif Assessoria Econômica separou o tipo de apartamento em cinco categorias determinadas pela quantidade de dormitórios, principalmente. Flavio Amary, vice-presidente do Interior do Secovi SP, revela que, quando se compara Bauru com outros municípios de porte semelhante, se destaca a construção de apartamentos de apenas um dormitório. Foram lançados 599 unidades (26,01%) do total do período de 12 meses entre 2011/2012.
“Fizemos a divulgação do estudo em Rio Preto (última sexta-feira). Rio Preto, Sorocaba e Jundiaí são cidades que têm pouca produção de um dormitório. Diferente de Bauru que tem bastante”, compara Amary.
Fernando César Pegorin, diretor da área de comercialização de imóveis da regional Bauru do Secovi-SP, define o imóvel de um dormitório como “um cheque visado” para o investidor. “Ele não conta somente com o aluguel, mas também com a valorização desse imóvel. Tem aquele que precisa do apartamento para morar e um grande número de investidores que procura esses imóveis como forma de valorização do seu capital”, define.
Para Amary, excetuando a particularidade do imóvel com somente um dormitório, no restante a pesquisa revela que Bauru acompanha a tendência do Estado. “O comportamento do mercado é muito parecido no Interior de uma maneira geral, com algumas particularidades com algumas regiões”, pontua.
A categoria de dois dormitórios econômico responde por 280 unidades (12,16%) do total de imóveis lançados no período 2011/2012 e se caracteriza como uma habitação de padrões de imóveis para atender o Programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal. Enquanto que a denominada 2 dormitórios soma 1.024 apartamentos (44,46%) da totalidades de unidades verticais lançadas e se diferencia por um padrão de imóvel com diferenciais, como localização em áreas valorizadas, elevador e área de lazer, portanto mais valorizados.
Riad ressalta que este tipo de imóvel atrai compradores pela facilidade de locação, além de encaixar no interesse de quem compra para morar.
Saudável
Pegorin define como “saudável” o movimento de produção dos empreendimentos verticais. De acordo com o diretor da área de comercialização de imóveis da regional Bauru do Secovi-SP, se lança o empreendimento e são comercializados em ritmo interessante.
Pegorin salienta que, nas condições atuais, a pessoa que optar por investir no imóvel residencial vertical terá excelente retorno.
O estudo também mostra a performance de lançamento desde janeiro de 2009 até janeiro de 2012 apontando um total de 5.923 unidades lançadas, com o segmento de 2 dormitórios tendo a maior participação na oferta, com 61,5% dos lançamentos (3.641 unidades), sendo 34,7% de unidades econômicas e 26,8% comuns.
“Se analisar o período de três anos, quem adquiriu um apartamento em construção (na planta) em 2009 e hoje quiser vender, ele vai ter uma lucratividade muito grande. Me habilito a dizer chegando a 100% do valor que ele investiu”, garante.
O estudo do Secovi-SP mostra que, em janeiro de 2012, o metro quadrado do apartamento de um dormitório valia em média R$ 4.460,00 em Bauru. O metro quadrado do apê com dois dormitórios padrão econômico saia em média por R$ 2.332,00, enquanto que o m² do dois quartos comum valia em média R$ 3.463,00. Já o m² do apê de 3 dormitórios tinha o preço médio de R$ 4.718,00 e o valor do m² do apartamento de quatro dormitórios era em média R$ 6.025,00.
“Aquilo que foi comercializado no início da pesquisa (2009) sofreu uma evolução muito grande de valor por metro quadrado”, avalia.
Pegorin avalia que o déficit habitacional é muito grande e será necessário a manutenção do ritmo de construção. Riad lembra que as características da cidade de Bauru sugerem crescimento da economia e, por consequência, aumento do poder econômico dos moradores.
O diretor regional frisa que a locação também se mantém em níveis estáveis. “O valor de locação residencial e comercial, hoje, é muito bom”, finaliza.
Bauru passa no teste do investidor
O diretor regional em Bauru do Secovi-SP, Riad Said, cita que investidores da região, em um raio de aproximadamente 150 quilômetros de Bauru, estão investindo na aquisição de apartamentos na cidade.
O médico radiologista Ricardo Rivelino de Mello Santos tem um perfil de jovem investidor e optou por testar a capacidade de Bauru de dar retorno a investimento imobiliário. Aos 42 anos, ele já está acostumado às oscilações do mercado imobiliário e, por isso, migrou parte dos seus investimentos em imóveis da região do Grande ABC para Bauru.
Ele percebeu que realmente Bauru vivência um momento saudável. Rivelino revendeu o imóvel com valorização de aproximadamente 80% após dois anos da compra e ainda na fase de construção. “Foi um valor muito acima do que eu estava esperando. Investimos aqui na minha região em apartamentos e o lucro não chegou nem perto. A diferença de valorização é muito grande e com a expectativa de aumento com a abertura de shoppings e o curso de medicina”, revela.
Ele comenta que adquiriu, inicialmente, um apartamento de um dormitório na planta pensando nos nichos estudantil e profissionais que vêm trabalhar na cidade.
Diante do negócio atrativo, o investidor adquiriu mais três apartamentos em construção, dois na região da avenida Getúlio Vargas para entrega em 2013 e outro nas imediações do Jardim Brasil, programado para ser entregue em 2013. No entanto, agora, a aposta do investidor foi mais alta com a aquisição de apês de dois dormitórios. “A margem de lucro nesse tipo de apartamento aqui no ABC é muito pequena”, explica.
Natural de Pindamonhangaba, Rivelino reside há 12 anos em Santo André com a família – esposa também médica e uma filha de 13 anos. A família frequenta Bauru com certa regularidade nas visitas aos familiares da esposa de Rivelino em Bariri. Rivelino não descarta futuramente vir residir na região de Bauru. Riad cita como fatores que impulsionam essa movimentação as boas condições da economia brasileira, o financiamento Minha Casa Minha Vida e o crescimento do número de apartamentos de um dormitório.