Rural

Família usa produção sustentável e salva um sítio no Interior de SP


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Há vinte anos, sem conseguir água para irrigar a roça de feijão, milho e abóbora, o agricultor Benedito Mendes, de 50 anos, estava na iminência de vender o sítio na zona rural de Ribeirão Grande, a 239 km de São Paulo, e se mudar para Sorocaba, o maior centro urbano da região. O pequeno manancial existente na área secou e a terra já não respondia à aplicação de adubos químicos.

Os três filhos mais velhos do casal emigraram para a cidade. No final dos anos 1990, Mendes e sua mulher, Maria das Dores, 49, aderiram ao programa estadual de microbacias e a situação mudou. Com orientação técnica, conseguiram recuperar a nascente e construir um açude para preservar o líquido.

A área, de 7,1 hectares, estava quase toda desmatada e a reserva legal foi, aos poucos, recomposta. "Boa parte do mato cresceu por si, foi só não mexer, mas também plantamos árvores", disse Mendes. No terreno mais degradado, ele formou um pomar com 300 pessegueiros. Com água disponível, a família passou a cultivar legumes e hortaliças.

Uma fossa séptica com biodigestor passou a receber o esgoto da casa e a gerar um efluente usado como adubo orgânico - foi adotado um sistema desenvolvido pela Embrapa. Restos de legumes e de mato e o lixo úmido da casa também viram composto orgânico. A família separa o lixo reciclável e entrega para o caminhão da coleta rural.

Lucro

De acordo com Maria das Dores, a produção sustentável passou a dar lucro. "Fomos incluídos no programa de aquisição de alimentos do governo federal e também passamos a fornecer para a merenda escolar", conta.

O casal comprou duas peruas Kombi e passou a fazer a feira em Capão Bonito, cidade vizinha de maior porte, mas ainda usa tração animal para manejar a terra. "A roda do trator compacta demais o solo", diz a agricultora. A família integra a Cooperativa Agrícola de Ribeirão Grande com outros 60 produtores.

De acordo com a engenheira agrônoma Raquel Regina Scudeller Silva, do Departamento Agropecuário e de Meio Ambiente do município, o grupo conta com 67 fossas sépticas biodigestoras em dois bairros, além de um pátio para compostagem do lixo úmido recolhido nas casas.

A prefeitura criou o plano de desenvolvimento rural sustentável e estendeu a coleta seletiva a toda a zona rural. De acordo com a agrônoma, a produção sustentável funciona porque há suporte de políticas públicas. "O produtor sabe que, se não respeitar o meio ambiente, ele pode perder acesso aos programas que garantem a compra do seu produto."

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